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Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro

Diplomatas americanos chegaram a Caracas nesta sexta-feira (9)

AFP

Publicado: 09/01/2026 às 21:14

Vista da Embaixada dos EUA em Caracas/FEDERICO PARRA / AFP

Vista da Embaixada dos EUA em Caracas (FEDERICO PARRA / AFP)

A Venezuela e os Estados Unidos iniciaram nesta sexta-feira (9) um processo para restabelecer relações diplomáticas após a queda do presidente Nicolás Maduro, o que também deu início à libertação gradual de presos por motivos políticos.

A reviravolta na relação turbulenta, interrompida desde 2019, inclui um acordo para reativar a indústria petrolífera venezuelana, que, segundo afirmou Trump nesta sexta-feira, lhe dá a prerrogativa de escolher as empresas que ficarão responsáveis.

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do planeta, mas conta com uma infraestrutura muito deteriorada.

Diplomatas americanos chegaram nesta sexta-feira a Caracas para avaliar uma "retomada gradual" dos vínculos, informou o Departamento de Estado. O governo interino de Delcy Rodríguez também enviará uma delegação aos Estados Unidos.

As aproximações não preveem, por ora, uma mudança de regime. Diante disso, Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, pediu nesta sexta-feira o "reconhecimento explícito" de sua vitória nas eleições presidenciais de 2025, que, em sua avaliação, Maduro lhe roubou de forma fraudulenta.

Sua mentora, a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, será recebida por Trump na próxima semana.

Em um primeiro momento, o presidente a havia deixado de fora de seu plano para a Venezuela, que caiu em uma de suas piores crises econômicas durante o governo de Maduro.

Como parte desse roteiro, o governo interino começou a libertar detidos por motivos políticos. A oposição relata cerca de dez libertações, incluindo quatro espanhóis, o ex-candidato presidencial Enrique Márquez e a ativista Rocío San Miguel.

Até meados desta semana, a ONG Foro Penal contabilizava 806 presos políticos na Venezuela, incluindo 175 militares. O governo anunciou na quinta-feira que um número importante seria libertado.

Em razão disso, Trump afirmou nesta sexta-feira que cancelou uma "segunda onda de ataques" à Venezuela, onde familiares começavam a protestar pela demora na libertação.

Washington, no entanto, mantém a pressão no Caribe, onde apreendeu um quinto navio petroleiro, o Olina, carregado com petróleo venezuelano e que tentava "driblar as forças norte-americanas". A embarcação já está de volta à Venezuela e o petróleo "será vendido", anunciou Trump, sem dar mais detalhes.


Ceticismo petrolífero

Maduro foi capturado em 3 de janeiro junto com a esposa, Cilia Flores, em meio a um bombardeio em Caracas que deixou uma centena de mortos. O casal foi imediatamente transferido para Nova York para enfrentar um processo por narcotráfico e outras acusações.

O chavismo se mobilizou nesta sexta-feira pelo sexto dia consecutivo em Caracas para exigir a libertação de Maduro. "Não aceito que Trump venha dominar nosso país", disse à AFP Josefina Castro.

Trump afirma que conduz os destinos da Venezuela e que mantém boa "sintonia" com Delcy Rodríguez, que assegura que seu governo não está subjugado.

A ex-vice-presidente conversou por telefone nesta sexta-feira com os líderes do Brasil, da Colômbia e da Espanha, aos quais disse que enfrentará pela "via diplomática" o que classificou como "agressão criminosa" dos Estados Unidos.

Enquanto isso, ao receber nesta sexta-feira executivos de cerca de vinte petrolíferas na Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos vão "tomar a decisão" sobre quais empresas entrarão na Venezuela.

"Vocês estão negociando diretamente conosco, não estão negociando com a Venezuela", garantiu o republicano, que prometeu segurança.

Antes, ele havia assegurado em uma entrevista que essas empresas estão dispostas a investir até "100 bilhões de dólares" na indústria, que atualmente extrai apenas um milhão de barris por dia, menos de um terço de seus melhores tempos.

Mas o diretor-executivo do gigante ExxonMobil, Darren Woods, afirmou no encontro com Trump que "é inviável investir" na Venezuela enquanto seus sistemas comercial e jurídico não mudarem.

Desde 2019, durante o primeiro governo de Trump, a indústria petrolífera venezuelana está submetida a sanções.


Encontro Petro–Trump

Após a derrubada de Maduro, Trump também intensificou a pressão contra a Colômbia e o México, cujos governos de esquerda ele acusa de serem lenientes com o narcotráfico, chegando inclusive a ameaçar ataques terrestres contra os cartéis.

Mas, em uma ligação telefônica, aparou as arestas com o presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem receberá no início de fevereiro, segundo anunciou Trump nesta sexta-feira.

Petro pediu nesta sexta-feira a Delcy Rodríguez que combatam "juntos" o narcotráfico, após acertarem operações contra a guerrilha colombiana do ELN na fronteira.

Nos arredores da prisão de Rodeo I, em Guatire, perto de Caracas, ainda havia desespero entre os familiares dos presos nesta sexta-feira.

Eles passaram a noite inteira em frente ao presídio na esperança de ver seus entes queridos.

"Peço-te, Senhor, que sejas Tu, com a Tua glória, quem abra a porta do Rodeo I e de outras prisões", clamou Hiowanka Ávila, de 39 anos, irmã de Henryberth Rivas, detido em 2018 acusado de participar de uma tentativa de magnicídio com drones contra Maduro.

Em frente ao temido Helicoide, sede dos serviços de inteligência em Caracas, o movimento é reduzido: poucos familiares e muitos veículos oficiais entram e saem, constatou a AFP.

O papa Leão XIV manifestou nesta sexta-feira profunda preocupação com as tensões na região e pediu que se "respeite a vontade do povo venezuelano".

 

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