Governo Trump recua de acusação de que Maduro chefiava cartel de drogas
A versão atualizada da acusação acusa Maduro e Hugo Chávez de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção e enriquecimento" com o tráfico de drogas
Publicado: 06/01/2026 às 17:50
Este desenho da sala de audiências mostra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à esquerda), e sua esposa, Cilia Flores, comparecendo à audiência de acusação no Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, em Nova York (JANE ROSENBERG / AFP)
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) desistiu de acusar o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, de comandar a suposta rede de narcotráfico conhecida como Cartel de Los Soles. A acusação foi feita, originalmente, durante o primeiro governo Donald Trump em 2020, e foi parte da narrativa utilizada pelo presidente estadunidense antecedendo os ataques no território venezuelano.
A versão atualizada da acusação, divulgada pelo DOJ após o bombardeio no sábado (3) não associa Maduro à chefia do narcotráfico venezuelano. Ao invés disso, acusa o presidente e seu antecessor, Hugo Chávez, de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção e enriquecimento” com o tráfico de drogas.
Além disso, a nova acusação retira 30 das 32 citações ao Cartel de Los Soles trazidas pelo documento original de 2020, colocando em cheque a existência do grupo, já questionada por especialistas em crimes na América Latina e entidades de inteligência.
Segundo a InSight Crime, fundação que estuda o crime organizado nas Américas, o “Cartel de Los Soles” teria sido um nome criado pela imprensa venezuelana nos anos 1990 para se referir a uma rede de corrupção de funcionários do governo venezuelano com dinheiro do tráfico.
O DOJ agora se refere ao cartel como “sistema de clientelismo”. Os lucros “fluem para funcionários corruptos de baixa patente, sejam civis, militares ou da inteligência, que operam em um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo, conhecido como Cartel de Los Soles”, diz a acusação.
A diretora adjunta para a América Latina do International Crisis Group, Elizabeth Dickinson, disse ao jornal americano The New York Times que a nova descrição do cartel é “mais precisa com a realidade” se comparada com a de 2020.
Apesar da revisão, o secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional da presidência, Marco Rubio, continuou acusando Maduro de chefiar o grupo. “É claro que o líder do Cartel de Los Soles está agora sob custódia dos EUA e enfrentando a Justiça americana no Distrito Sul de Nova York. E ele é Nicolás Maduro”, declarou.
A nova versão do processo, no entanto, também traz novas acusações. O líder da gangue Tren de Aragua foi adicionado como réu no caso, sob a alegação de que ele teria telefonado para um suposto funcionário venezuelano em 2019 para oferecer serviços de escolta para proteger um carregamento de drogas na Venezuela.
Trump já havia afirmado que Maduro seria o coordenador das atividades do Tren de Aragua.