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Brasil discursa na ONU contra intervenção dos EUA na Venezuela, mas não cita Trump ou Maduro

Representante brasileiro na ONU, o diplomata Sérgio Danese reforçou a ilegalidade dos ataques e da ocupação militar dos EUA na Venezuela

Guilherme Anjos

Publicado: 05/01/2026 às 14:57

Representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, Sérgio Danese/Foto: Reprodução/Youtube/ONU

Representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, Sérgio Danese (Foto: Reprodução/Youtube/ONU)

O Brasil voltou a criticar, em discurso no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, iniciada no último sábado (3) com o bombardeio americano em território venezuelano que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.

Representante brasileiro na ONU, o diplomata Sérgio Danese reforçou a ilegalidade dos ataques e da ocupação militar dos EUA na Venezuela. Entretanto, evitou citar Maduro ou o presidente Donald Trump nominalmente.

“O Brasil categoricamente rejeita a intervenção armada no território da Venezuela, violando em flagrante o tratado das Nações Unidas e a lei internacional. Os bombardeios no território venezuelano e a captura de seu presidente cruzam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma afronta muito séria à soberania da Venezuela e cria um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional”, discursou.

De acordo com Danese, “o Brasil sustentou em reiteradas oportunidades que as normas que regem a convivência entre os estados são obrigatórias e universais”.

“As normas não admitem exceções baseadas em interesses e projetos ideológicos, geopolíticos e econômicos, ou de qualquer outro tipo, nem admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifiquem o uso da força ou a mudança ilegal de governante”, acrescentou.

Danese citou o genocídio em Gaza como uma exemplo da escalada da violência vivida em todo o mundo. Segundo o diplomata, há 117 milhões de pessoas em situação de catástrofe humanitária no mundo, e 61 conflitos armados ativos – um recorde desde a Segunda Guerra Mundial. Os gastos militares globais se aproximam de US$ 2,7 bilhões.

“A aceitação de atos dessa natureza iriam, inexoravelmente, levar a cenários de violência, desordem e erosão do multilateralismo, para detrimento das leis e instituições internacionais. Os efeitos do enfraquecimento da governança internacional e mecanismos de cooperação já são evidentes”, afirmou.

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