Diretor comenta bastidores do Sport e defende política de responsabilidade financeira
Leonardo Cruz afirma que clube vive processo de reestruturação e destaca necessidade de pacificação interna para reconstruir o Rubro-Negro
Publicado: 27/08/2026 às 17:43
Leonardo Cruz, membro da diretoria de futebol do Sport ( Rafael Vieira/DP Foto)
Em um ano marcado por mudanças dentro e fora de campo, o Sport tenta conciliar a reformulação administrativa com a missão de retornar à Série A do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao podcast Futebol Diario, Leonardo Cruz, membro da diretoria de futebol do Sport, falou sobre o cenário encontrado pelo clube e os desafios enfrentados pela atual gestão.
Enquanto a equipe busca se manter na briga pelo acesso, o Leão também passa por um processo de reorganização interna após um período de dificuldades financeiras e administrativas.
Uma das lideranças dos movimentos de oposição ao ex-presidente Yuri Romão na temporada passada, o dirigente destacou que a prioridade neste momento vai além da montagem do elenco e envolve uma mudança na forma de administrar o Rubro-Negro.
"Quem me acompanha sabe a luta que foi, eu praticamente liderei para tirar Yuri, porque eu identificava as ilegalidades que estavam acontecendo dentro do clube e encabecei, e comigo teve Zé do Gás, teve o Luciano Bvar, tiveram comigo", afirmou.
"Foi muito difícil, o Sport teve quase 800 milhões em cinco anos, e hoje o clube é atolado em dívida inacreditável de má gestão", completou.
A atual política financeira, por outro lado, também é alvo de críticas de parte da torcida, principalmente diante das limitações para contratações. Leonardo defendeu que o planejamento adotado pela gestão de Matheus Souto Maior busca encontrar um equilíbrio entre responsabilidade e necessidade de investimento no futebol.
"Hoje existe uma crítica muito em cima de Matheus, mas é uma política pé no chão, de ser irresponsável sendo responsável", explicou.
Para o dirigente, o futebol exige decisões que nem sempre podem seguir uma lógica rígida de orçamento.
"A gente sabe que para ter um êxito a gente não pode ficar fechado numa cúpula e dizer assim, 'eu tenho 100 e vou gastar 100'. Muitas vezes tem que ser até irresponsável, e a gente tem isso muito cronometrado", disse.
Reestruturação
Leonardo classificou o momento como um trabalho de reconstrução do clube. Ele também ressaltou a formação de uma nova estrutura administrativa, com Matheus como presidente e a participação próxima de outros nomes da gestão, como o vice Kadico e o CEO Felipe Ximenes.
"Hoje o trabalho é de reestruturação no clube. A gente tem um CEO que é o Felipe Ximenes, um cara que é muito conhecido, rodado, foi dirigente de futebol, e hoje ele foi professor da CBF Academy, então tem uma experiência muito grande na gestão do clube", afirmou.
O dirigente reconheceu que a mudança representa um processo complexo, especialmente para uma administração que está iniciando uma nova forma de condução do Sport.
"É uma coisa nova para Matheus, porque foi vice-presidente de TI, né, não é muitas vezes o fim do clube, que é futebol, então fica. Tem Kadico que tá muito junto, então é uma nova geração que assume, tentando mudar inclusive a cultura de como gerir", explicou.
Apesar das dificuldades, Leonardo demonstrou confiança na direção adotada pelo clube. O dirigente reconheceu que boa parte do trabalho realizado nos bastidores não é percebida diretamente pelo torcedor, que naturalmente concentra sua atenção nos resultados dentro de campo.
"Eu acredito que vai ter um resultado muito positivo para o clube. É coisa muito interna, que o torcedor não vê, só vê campo e tá certo", afirmou.
Para Leonardo, além da reorganização financeira e administrativa, um dos principais objetivos da atual gestão é diminuir as divisões políticas internas e criar um ambiente mais unido em torno do Sport.
"Eu acho que o Sport está num caminho certo de reestruturar o clube e o mais importante, pacificar. Não existe nós contra eles. Nós somos Sport e isso que é o mais importante. Isso que tem que entender. Podemos pensar formas distintas, mas por um bem maior", concluiu.