Torcedor agredido por presidente do Náutico nega ter jogado cerveja e relata impacto da exposição
Rubro-negro relatou bastidores do episódio na Ilha do Retiro e afirmou que só reagiu após ser atingido por dois tapas
Publicado: 02/06/2026 às 19:57
Presidente do Náutico agride torcedor do Sport (Reprodução/Redes Sociais/@admdosport)
A confusão registrada nos camarotes da Ilha do Retiro durante o Clássico dos Clássicos do último sábado (30), envolvendo o presidente do Náutico, Bruno Becker, e o torcedor rubro-negro Márcio Luiz, trouxe novas repercussões. Agredido nas imagens que viralizaram nas redes sociais e terminaram na Delegacia do Torcedor, Márcio detalhou como viveu o episódio.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o torcedor afirmou que ainda tenta lidar com a exposição provocada pelo caso. Segundo ele, a repercussão ultrapassou o ambiente esportivo e passou a impactar sua rotina pessoal, além de apresentar sua versão sobre os acontecimentos ocorridos durante o clássico.
“Nunca fui uma pessoa exposta. Essa semana foi difícil. Familiares ligando, amigos ligando. Fiquei até com uma agonia no peito”, relatou.
O episódio ocorreu durante a vitória do Sport por 2 a 0 sobre o Náutico, pela 11ª rodada da Série B. Em vídeo que circulou amplamente nas redes sociais, Bruno Becker aparece abrindo a janela do camarote destinado à diretoria alvirrubra e atingindo o torcedor rubro-negro com um tapa. O caso foi registrado na Delegacia do Torcedor instalada no estádio.
Márcio contou que chegou à Ilha do Retiro no fim da tarde e, de forma pouco habitual, aceitou assistir ao clássico em um camarote. Frequentador do setor de cadeiras, ele disse que foi convidado por um amigo e viu na oportunidade a chance de acompanhar uma partida em um espaço que nunca havia utilizado no estádio.
Segundo o torcedor, o ambiente transcorreu normalmente até a marcação do pênalti que originou o primeiro gol do Sport.
“Na hora do pênalti, alguns amigos que estavam lá embaixo começaram a comemorar. Eu fiz um coraçãozinho para eles. Quando vi, recebi aquele tapa no rosto”, afirmou.
Ele relata ainda que uma segunda agressão aconteceu logo em seguida.
“Depois veio outro rapaz e deu um tapa no meu boné. Foi quando peguei um copo e joguei no vidro. Empurrei o vidro também e saí dali, muito revoltado pela covardia que fizeram”, disse.
Um dos pontos ressaltados por Márcio é que ele sequer sabia que a pessoa envolvida era o presidente do Náutico.
“Eu não sabia que era o presidente do Náutico. Juro por tudo que não sabia. Fiquei sabendo depois. Eu tinha visto um grupo de torcedores, mas não sabia quem estava ali dentro”, declarou.
Após a confusão, o torcedor foi conduzido à Delegacia do Torcedor acompanhado por representantes jurídicos do Sport, onde registrou ocorrência contra o dirigente alvirrubro.
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Contestação à versão apresentada por presidente alvirrubro
Em seu depoimento após a partida, Bruno Becker afirmou que integrantes do camarote rubro-negro teriam arremessado cerveja em direção ao espaço ocupado pela diretoria alvirrubra, atingindo familiares e dirigentes do Náutico. O presidente também alegou ter presenciado agressões verbais e intimidações antes do episódio.
Márcio, porém, contesta essa versão.
“Não joguei copo de cerveja e não presenciei ninguém jogando. Como alguém iria jogar cerveja no camarote dele se o vidro estava totalmente fechado?”, questionou.
O torcedor também negou ter visto qualquer agressão anterior ao momento registrado nas imagens.
“Ele fala de murros na parede, mas eu não vi nada disso. Eu estava de frente para o campo e não presenciei nada. A inverdade que saiu foi dizer que jogaram cerveja na esposa dele e xingaram a irmã dele. A gente não jogou nada”, afirmou.
Exposição e repercussão
Passados alguns dias do clássico, Márcio admite que o impacto tem sido a repercussão pública do caso.
“A semana toda todo mundo para para perguntar. Graças a Deus já está saindo um pouco da mídia, porque é constrangedor. Você entra na internet e vê comentários de todo tipo. Eu nunca fui tão exposto assim”, revelou.
Até o momento, segundo o torcedor, ele ainda não recebeu qualquer comunicação judicial relacionada ao caso. O episódio segue sob apuração após os registros feitos pelas partes na Delegacia do Torcedor.