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Beto Lago: 'Torcedores pernambucanos desafiam a lógica'

Uma paixão que não depende de títulos recentes, de grandes investimentos ou da divisão em que o clube esteja

Beto Lago

Publicado: 12/05/2026 às 09:17

Torcida de Náutico, Sport e Santa Cruz/Rafael Vieira

Torcida de Náutico, Sport e Santa Cruz (Rafael Vieira )

Desafia a lógica
No sábado, a festa da torcida do Sport em Campinas impressionou, principalmente diante da capacidade de mobilização de uma torcida que sofreu muito no ano passado, mas que empurra o clube nos momentos de maior instabilidade técnica. O Santa Cruz consegue manter tamanho vínculo emocional após anos de erros administrativos e sucessivos fracassos esportivos, lotando estádios pelo País. E o Náutico, que carrega uma resistência incrível, com torcedores comparecendo em grande número a jogos até mesmo no interior gaúcho.

Em um futebol cada vez mais refém de planilhas, métricas e resultados imediatos, Pernambuco segue sendo um território que desafia a lógica do mercado. O que move Sport, Santa Cruz e Náutico vai muito além da tabela de classificação. Existe uma força emocional nas arquibancadas do Estado que não se explica apenas por vitórias. É quase um pacto cultural. Enquanto em muitos centros do País o entusiasmo do torcedor oscila conforme a fase da equipe, no futebol pernambucano acontece justamente o contrário: quanto maior a dificuldade, mais intensa parece ser a demonstração de fidelidade. A crise não afasta. Aproxima.

O fenômeno impressiona porque resiste ao tempo, aos rebaixamentos, às administrações ruins e até à perda de protagonismo nacional. Ainda assim, basta um jogo importante, ou até mesmo um jogo comum, para as camisas ocuparem aeroportos, estradas e arquibancadas espalhadas pelo Brasil.

Os dirigentes passam. Jogadores mudam. Técnicos vão embora. A torcida permanece. E no futebol pernambucano, ela parece crescer exatamente quando tudo fica mais difícil.
Símbolos culturais, familiares e sociais

Essa devoção, no entanto, não significa alienação. O torcedor pernambucano cobra, protesta, se revolta e sofre com a falta de planejamento dos clubes. Mas existe uma compreensão coletiva de que essas instituições representam mais do que resultados de domingo. São símbolos culturais, familiares e sociais.

Uma paixão genuína
Em Pernambuco, torcer não é um hábito eventual. É parte da identidade. Talvez esteja justamente aí a maior riqueza do futebol do Estado. Em tempos de arenas frias e relações cada vez mais comerciais entre clubes e torcedores, Sport, Santa Cruz e Náutico ainda sobrevivem sustentados por paixão genuína. Uma paixão que não depende de títulos recentes, de grandes investimentos ou da divisão em que o clube esteja.

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Vitória para mudar o ambiente
Com duas falhas incríveis do goleiro Saulo, o Santa Cruz conquistou vitória importantíssima por 2x1 sobre a Inter de Limeira. O desempenho esteve longe de empolgar, mas há triunfos que valem mais pelo impacto emocional do que propriamente pela atuação. Em uma Série C marcada pelo equilíbrio e pela pressão crescente, os três pontos fora de casa têm potencial para representar uma virada de chave para o Tricolor.

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