Beto Lago: 'As perspectivas de cada competição'
Futebol também é, acima de tudo, uma questão de perspectiva e, no caso do calendário nacional, ela muda completamente conforme a divisão
Publicado: 28/04/2026 às 09:19
Torcida de Náutico, Sport e Santa Cruz (Rafael Vieira )
Perspectivas
Futebol também é, acima de tudo, uma questão de perspectiva e, no caso do calendário nacional, ela muda completamente conforme a divisão. Para o torcedor de Sport e Náutico, ainda restam 32 rodadas na Série B: um campeonato longo, com margem para correções, ajustes e até uma pausa estratégica no meio do ano para reforçar elencos e recalibrar ambições.
Já para o Santa Cruz, a realidade da Série C impõe outro ritmo, mais duro, mais imediato e, muitas vezes, cruel. São apenas 19 jogos na primeira fase, dos quais já se foram quatro. Restam 15 partidas para definir os oito que avançam. Isso significa que, ao final do mês de agosto, o torcedor coral pode já estar fora da principal competição do ano para o clube. E é justamente por isso que a preparação nunca poderia ter sido tratada como detalhe. O Santa Cruz começou atrasado e vem pagando por isso. A troca tardia de Marcelo Cabo por Claudinei Oliveira não foi apenas uma mudança de comando, mas o reflexo de um planejamento que falhou no tempo e na execução.
Some-se a isso a demora na chegada de reforços, alguns ainda sem sequer estrear após quatro rodadas, além dos diversos problemas extracampo, como salários, reforma do Arruda e a novela interminável da SAF. O cenário se mostra bem preocupante. Fica a pergunta inevitável: subestimaram a competição ou confiaram demais em um tempo que simplesmente não existe na Série C? A tabela não perdoa.
O Santa Cruz está a dois pontos do G-8, mas encara agora uma sequência fora de casa contra Guarani e Inter de Limeira. Em um campeonato de tiro curto, cada rodada tem peso de decisão e cada erro cobra um preço alto. O problema não é só a distância para a classificação. É a sensação de que o clube largou atrás em uma corrida onde não há espaço para recuperação tardia. E, na Série C, quem entende isso tarde demais, geralmente já está fora do jogo.
Por uma melhor transmissão
Para as próximas competições nacionais — Séries B, C e D —, a CBF deveria exigir que as emissoras que adquirirem os direitos de televisionamento contratem profissionais locais para as transmissões. As partidas são narradas e comentadas por quem pouco conhece os clubes, o que empobrece a cobertura. Soma-se a isso o excesso de brincadeiras vazias, que afastam quem quer simplesmente assistir ao jogo do seu time com informação e respeito ao contexto.
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Reação, personalidade e golaço
Grande vitória do Náutico diante do Athletic, fora de casa. O Timbu saiu de um primeiro tempo apático, sustentado por Muriel, para uma segunda etapa de imposição e ajuste defensivo diante do Athletic. Cresceu no jogo, passou a competir e foi premiado com um golaço de Victor Andrade, aos 36, sem chance para Luan Polli. O Náutico sai do incômodo Z4 e sobe para a oitava posição, e mostra competitividade fora de casa, com duas vitórias em três jogos.