Beto Lago: 'Jogo no interior é para corrigir erro histórico'
Por isso, quando Sport e Santa Cruz planejam levar jogos oficiais ao Lacerdão, em Caruaru, não vejo como um gesto pontual
Publicado: 13/04/2026 às 09:17
Estádio Lacerdão, casa do Central (Rafael Vieira/FPF)
Pelo interior
No futebol pernambucano, houve um tempo em que jogar no interior não era um “evento”, era parte essencial da nossa identidade. Quem viveu sabe: não era apenas uma viagem, era quase um ritual. A estrada cheia, a cidade mobilizada, o estádio pulsando em festa. Esse movimento não nasceu por acaso. Foi impulsionado com força na gestão de Carlos Alberto Oliveira na FPF, que entendeu algo que hoje está esquecido: nosso futebol não se sustenta apenas na capital. Ele respira no interior. Ir a Vitória, Caruaru, Cabo, Serra Talhada, Timbaúba, Itacuruba, Salgueiro e Petrolina não era um incômodo logístico, era um teste de grandeza. Havia rivalidade, havia pressão, havia pertencimento. Com o tempo, esse processo foi sendo abandonado. A interiorização deixou de ser política esportiva para virar exceção. E o que se perdeu não foi só público, mas identidade. Por isso, quando Sport e Santa Cruz planejam levar jogos oficiais ao Lacerdão, em Caruaru, não vejo como um gesto pontual. Estão, ainda que timidamente, corrigindo um erro histórico. Espero que possam fazer isso ainda neste ano. O torcedor do interior nunca deixou de amar. O que faltava era ser lembrado. E quando ele é, responde como sempre respondeu: com festa, com presença, com paixão. Como deve ser. E como já foi um dia.
Fica a frustração pelo resultado que não veio contra o Floresta, mas o Santa Cruz deixa sinais claros de que há um caminho nesta Série C. O pênalti não marcado ainda no primeiro tempo poderia ter mudado o rumo da partida e dado ao Tricolor a vantagem que buscava. Ainda assim, o empate tem seu peso: pontua fora do ideal, mas sustenta o processo de construção. É um time em ajuste, que começa a ganhar forma dentro de um Brasileiro difícil e traiçoeiro, onde evoluir rodada a rodada pode ser tão valioso quanto vencer.
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Mais pontos perdidos do Leão
A vitória esteve nas mãos, mas uma sequência de falhas custou caro ao Sport no empate com o Avaí. Jogo bem irregular, sofrendo na saída de bola, esbarrando nas limitações de criação já conhecidas e, o pior, com vários erros individuais – o pior deles que tirou os três pontos. Em uma Série B tão equilibrada, o fator casa costuma ser determinante e é aí que mora o alerta. Em dois jogos na Ilha, quatro pontos ficaram pelo caminho. Agora, o roteiro muda: será preciso buscar fora o que não foi garantido em casa, especialmente contra adversários de maior peso.
Timbu joga bem, mas perde no Castelão
No Castelão, uma derrota que dói mais pelo contexto do que pelo placar. O Náutico perdeu para o Ceará em jogo que flertou com a vitória: três bolas na trave e com uma atuação superior. Mas o futebol costuma ser implacável com quem não transforma domínio em gol. A falha de Muriel, logo no início do segundo tempo, foi decisiva na partida. Para a tabela, é um resultado que pesa. Ainda assim, o desempenho mostrou um Timbu que trouxe mais virtudes que problemas para a sequência da Série B.