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PERNAMBUCANO

Ilha e Aflitos ao invés da Arena: prós e contras dos palcos das finais entre Náutico x Sport

Análise mostra impacto em aspectos como renda, segurança, gramado e apoio do torcedor

Gabriel Farias

Publicado: 25/02/2026 às 18:18

Estádio dos Aflitos, Arena de Pernambuco e Ilha do Retiro/Rafael Vieira

Estádio dos Aflitos, Arena de Pernambuco e Ilha do Retiro (Rafael Vieira)

A decisão de levar as finais do Campeonato Pernambucano, entre Náutico e Sport, para a Ilha do Retiro e os Aflitos, em vez da Arena de Pernambuco, recolocou em pauta um debate recorrente no futebol local: o que pesa mais em uma final — renda e capacidade ou identidade, logística e fator casa?

Embora a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) tenha manifestado o desejo de realizar os dois jogos na Arena, a entidade respeitou a decisão dos clubes.

Finais entre alvirrubros e rubro-negros acontecem nos dias 1º e 8 de março, ambos às 18h. O primeiro jogo será disputado na Ilha do Retiro, e o segundo, nos Aflitos.

A seguir, os principais prós e contras dos palcos escolhidos em comparação ao estádio padrão Fifa do Estado.

Capacidade e renda

Quando o recorte é capacidade e arrecadação, a Arena de Pernambuco leva ampla vantagem. Com estrutura para receber grandes públicos, é o único estádio do Estado capaz de romper a barreira dos R$ 2 milhões em bilheteria. A prova veio na final de 2024, entre Sport e Náutico, quando 45.500 torcedores estiveram presentes e a renda chegou a R$ 2.339.685, recorde do estádio.

Nos números atuais, os Aflitos comportam 18.684 torcedores, enquanto a Ilha do Retiro tem capacidade para 27.017. Mesmo nos melhores cenários, ambos ficam abaixo do potencial financeiro da Arena.

Levantamento do Diario de Pernambuco aponta que, ao optar por mandar as finais fora de São Lourenço da Mata, Sport e Náutico podem deixar de lucrar cerca de R$ 800 mil cada, considerando os tetos históricos de arrecadação: R$ 1,77 milhão na Ilha (contra o Corinthians, em 2025) e R$ 1,6 milhão nos Aflitos (diante do São Paulo, na Copa do Brasil de 2025).

Ainda assim, a escolha pelos estádios próprios mantém a tradição dos clássicos decisivos e redistribui o impacto econômico de forma diferente.

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Segurança e carga de visitantes

Em contato com a reportagem, a FPF informou que definiu 2 mil ingressos para as torcidas visitantes em cada final. Em nota divulgada na terça-feira (24), a entidade explicou que observa o limite mínimo de 10% e máximo de 20% da capacidade total dos estádios, conforme o Art. 23, §3º, do Regulamento. Nos clássicos do Trio de Ferro, cabe à federação fixar o percentual exato dentro desse intervalo.

Do ponto de vista operacional, a Arena facilita o controle de fluxos e a separação das torcidas. Por outro lado, Ilha e Aflitos trazem o desafio do entorno urbano mais denso, compensado por protocolos já conhecidos em jogos recentes.

O espaço destinado aos visitantes na Arena de Pernambuco, tendo em vista a a porcentagem estabelecida por capacidade do estádio, seria maior para os dois jogos.

Conforto

Projetada para competições de padrão Fifa, a Arena de Pernambuco segue como o equipamento mais moderno do Estado. Conforto, acessibilidade, visibilidade e áreas internas ainda superam Ilha e Aflitos. Mesmo após reformas recentes, especialmente na Ilha do Retiro, ambos os estádios continuam recebendo críticas de torcedores quanto a banheiros, circulação e assentos.

Nesse quesito, a Arena mantém vantagem técnica clara. Ainda assim, o conforto absoluto não tem sido determinante para a decisão final dos clubes.

Logística

Se o conforto favorece a Arena, a logística pesa contra. Localizada em São Lourenço da Mata, a Arena exige deslocamentos mais longos, especialmente para quem depende de transporte público. Ônibus e metrô até ajudam, mas a distância segue como obstáculo.

Ilha do Retiro e Aflitos, por sua vez, estão inseridos no Recife, em áreas historicamente povoadas por torcedores de Sport e Náutico. O acesso é mais simples, o custo de deslocamento menor e a familiaridade com o entorno joga a favor. Além disso, torcedores ainda apontam críticas à Arena em jogos noturnos. Iluminação externa insuficiente em alguns trechos e estacionamentos.

Gramado

A Arena de Pernambuco enfrentou desgaste acentuado nas últimas semanas, devido à alta carga de jogos do Estadual e à realização de eventos extras. O gramado chegou a gerar preocupação e quase inviabilizou sua utilização nas semifinais, sendo liberado apenas às vésperas após intervenções emergenciais. O processo de recuperação segue, mas ainda distante do ideal esperado.

Ilha do Retiro e Aflitos não vivem o melhor momento em termos de gramado, mas apresentam condições semelhantes entre si e consideradas suficientes para a disputa das finais, sem prejuízos técnicos relevantes.

Identidade, pertencimento e fator casa

Aqui está o argumento mais forte a favor de Ilha e Aflitos. Jogar a final “em casa” é desejo majoritário das duas torcidas. O apoio próximo, a pressão sobre o adversário e o ambiente conhecido transformam os estádios do Trio de Ferro em verdadeiros caldeirões.

Para o Náutico, o peso é ainda maior: dono da melhor campanha da primeira fase, o Timbu conquistou o direito de decidir o título nos Aflitos. Historicamente, em Pernambuco, finais nos estádios tradicionais carregam simbolismo, memória e influência direta no rendimento em campo.

Saldo

A Arena de Pernambuco oferece mais público, mais renda e mais conforto. Ilha do Retiro e Aflitos entregam identidade, logística favorável e o fator emocional do mando. Ao respeitar a decisão dos clubes, a FPF optou por privilegiar o sentimento e a tradição, mesmo abrindo mão de um potencial financeiro maior.

Nas finais de 2026, o título será decidido não apenas pela qualidade técnica, mas também pelo ambiente. E, nesse aspecto, Ilha e Aflitos prometem fazer valer o peso histórico que sempre marcou os clássicos pernambucanos.

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