Sport: Yuri Romão contesta dívida divulgada pelo Portal da Transparência e critica postura da atual gestão
Ex-presidente rubro-negro afirma que valores foram amplificados e classifica operações como regulares
Publicado: 13/01/2026 às 19:56
Yuri Romão demitiu António Oliveira na quarta-feira ( Rafael Vieira/FPF)
Depois da atual gestão do Sport publicar no Portal da Transparência que o clube possui R$ 70,5 milhões em dívidas vencidas (até dezembro de 2025) e mais de R$ 115 milhões em receitas antecipadas, o ex-presidente Yuri Romão enviou uma carta ao Conselho Deliberativo contestando os números divulgados e acusando a atual administração de promover uma narrativa "distorcida", "irresponsável" e "institucionalmente perigosa".
No documento de três páginas, obtido pelo Diario de Pernambuco, Yuri afirma que o debate conduzido publicamente "não observa rigor técnico", apresenta dados "inflados artificialmente" e coloca o clube em risco ao reforçar uma imagem de "terra arrasada".
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Yuri Romão nega antecipação de R$ 100 milhões da LFU e diz que operação foi regular
Um dos pontos centrais da divergência diz respeito aos R$ 100 milhões que o clube classificou como antecipação de receitas da LFU, vinculadas a 15% dos direitos de transmissão do Brasileirão pelos próximos 50 anos.
Para o ex-presidente Yuri Romão, a informação não procede. Ele afirma que não houve antecipação, mas sim uma operação de comercialização de direitos de transmissão, aprovada pelo Conselho Deliberativo e contabilizada de forma regular nos balanços de 2023 e 2024.
Yuri ainda argumenta que a operação foi semelhante à realizada "por praticamente todos os clubes das Séries A e B" e que os recursos foram investidos em melhorias estruturais, citando as reformas na Ilha do Retiro e no Centro de Treinamento José Andrade Médicis.
Em entrevista à Rádio Jornal nesta terça-feira (13), Yuri classificou como 'tendenciosas' as informações divulgadas e contestou a interpretação dos dados apresentados pela nova administração.
"Recebi no final da tarde de domingo a arte com os números do Portal da Transparência. A gestão se mostra seletiva, tendenciosa e com números desatualizados. Dizer que os R$ 100 milhões oriundos da Liga Forte União são adiantamentos é querer fazer nosso torcedor, sócio e conselheiro de idiotas, porque isso não foi adiantamento, e sim venda dos direitos de transmissão."
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BaladApp
Outro ponto contestado diz respeito aos R$ 8 milhões relacionados à BaladApp, que a atual gestão classificou como antecipação de receitas de bilhetagem. Segundo Yuri Romão, a narrativa é equivocada.
Ele explica que o Sport recebeu R$ 2,5 milhões em luvas pela assinatura do contrato de ticketing. Além disso, houve um mútuo no valor total de R$ 20 milhões, remunerado apenas pela taxa CDI, com apenas R$ 5,5 milhões efetivamente utilizados pelo clube, passíveis de restituição. Os R$ 14,5 milhões restantes estariam disponíveis para a atual administração.
Para o ex-mandatário, o uso do termo "antecipação" cria a falsa sensação de comprometimento indevido de receitas futuras.
Yuri também rebateu a narrativa de que teria comprometido receitas futuras, afirmando que parte das operações citadas pela gestão atual não se tratam de antecipações, mas de movimentos regulares de mercado.
"Já soube hoje que parece que eles estão pedindo mais R$ 20 milhões à própria BaladApp. Não vou dizer categoricamente isso, mas foram rumores que eu ouvi, de que além desses R$ 14,5 milhões assinados por mim, a gestão pediu mais R$ 20 milhões", revelou à Rádio Jornal.
Nova fornecedora de material esportivo
O ex-presidente também rebate a inclusão dos R$ 500 mil pagos pela Kappa, fornecedora de material esportivo, no pacote de antecipações.
Segundo ele, trata-se de luvas contratuais, prática comum no mercado e sem impacto sobre receitas futuras. Yuri destaca ainda que a parceria incluía discussões avançadas sobre naming rights do CT, algo que, em sua visão, reforça uma boa relação comercial construída.
Dívida vencida de R$ 70 milhões
Yuri alega que o número não encontra respaldo nos documentos oficiais e apresenta um levantamento próprio, afirmando que os valores em aberto da folha do futebol profissional até 18 de dezembro somariam:
R$ 3,32 milhões: imagem de setembro
R$ 529 mil: bônus/luvas de setembro
R$ 2,98 milhões: folha de outubro
R$ 3,28 milhões: imagem de outubro
R$ 527 mil: bônus/luvas de outubro
R$ 2,94 milhões: folha de novembro
R$ 266 mil: férias
R$ 1,56 milhão: 1ª parcela do 13º
Total: R$ 15,4 milhões
Além disso, cita um débito de R$ 413 mil de FGTS, ainda referente a outubro. Somados, chegam a R$ 15,8 milhões, valor quase quatro vezes menor que o divulgado pela gestão atual. Yuri Romão afirma que a ampliação para R$ 70,5 milhões é resultado de "métrica não explicada" e "critério técnico inexistente".
Ao longo da carta, Yuri Romão acusa a atual administração de conduzir uma comunicação pública que pode gerar consequências negativas para o clube.
O clube reforçou que a plataforma será continuamente atualizada e funcionará como "uma ferramenta viva e dinâmica" para aproximar torcedores da vida administrativa rubro-negra.
Análise do momento do clube
Além do debate financeiro, ainda em entrevista à Rádio Jornal, Yuri Romão atribuiu parte do desgaste administrativo ao desempenho em campo no último ano, marcado pela eliminação precoce nas copas e pela frustração da torcida.
"Uma campanha pífia, tragédia de campanha, muito aquém daquilo que a gente imaginava, que frustrou várias receitas, como a saída precoce da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, somando as duas, chegando a um número de R$ 11 milhões", analisou.
Ao final da entrevista, Yuri Romão cobrou responsabilidade na exposição pública das contas do clube e disse enxergar uma tentativa de desqualificar sua gestão.
"A nossa gestão pegou um clube, em janeiro de 2022, com um débito aproximado de R$ 330 milhões, e nem por isso ficamos utilizando a imprensa e influenciadores para disseminar essa onda de terra arrasada e de que está tudo acabado. Não é bom para a imagem do clube esse discurso. Me parece ser para justificar um fracasso de gestão."
Mesmo com críticas incisivas, o ex-presidente afirmou torcer para que o novo comando tenha sucesso.
"Digo de peito aberto que torço para que essa gestão dê certo. Eles têm um ano para trabalhar, fazer bons campeonatos, resgatar o nosso torcedor e chegar ao fim do ano com receitas boas. Mas, se ficar olhando para o retrovisor, só se justificando e jogando culpa para o passado, isso não vai ser alcançado — é o que eu penso", completou.