Seleção Brasileira
Opinião

Beto Lago: 'Seleção Brasileira mostrou evolução, mas sem empolgar'

Ainda é cedo para colocar o Brasil na mesma prateleira dos grandes favoritos

Beto Lago

Publicado: 26/06/2026 às 12:30

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira/Rafael Ribeiro/CBF

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira (Rafael Ribeiro/CBF)

Sem empolgação
O primeiro lugar do grupo foi conquistado, mas a Seleção Brasileira ainda está longe de ser uma equipe pronta. O que se vê é um processo gradual de crescimento, algo dito até por Carlo Ancelotti. Dos três adversários enfrentados, já se sabia que o Marrocos seria o maior desafio. É uma seleção consolidada entre as principais do ranking da Fifa e acostumada a competir em alto nível.

Contra o Haiti, um primeiro tempo avassalador, mas caiu de produção na etapa final, numa postura que pareceu mais acomodação. Diante da Escócia, houve sinais consistentes de evolução. O time foi mais organizado, pressionou melhor, atacou com objetividade e mostrou um funcionamento coletivo que ainda não havia aparecido de forma tão clara nesta Copa do Mundo.

Vinícius Júnior segue sendo o grande protagonista. É o jogador capaz de desequilibrar, decidir e dar velocidade às ações ofensivas. Destaque também para a dupla Matheus Cunha e Rayan, fundamentais para desgastar a defesa escocesa, seja pela movimentação constante, pela intensidade sem a bola ou pela capacidade de atacar os espaços. Ao mesmo tempo, alguns seguem devendo. Lucas Paquetá continua sem encontrar seu papel dentro da equipe.

Se Bruno Guimarães começa a crescer na competição, Casemiro já desperta questionamentos sobre sua capacidade de acompanhar a intensidade exigida pelos jogos mais pesados. A vitória confirmou uma curva de crescimento. Mas sem empolgação. Ainda é cedo para colocar o Brasil na mesma prateleira dos grandes favoritos. O desempenho melhorou, mas a equipe ainda precisa ser testada em cenários mais complexos. Uma vitória na segunda, quem sabe, a conversa poderá mudar de patamar. É só querer!

Esperando mais de Neymar
Era natural que a entrada de Neymar despertasse expectativa. Para muitos, ele poderia ser justamente a peça capaz de resolver a carência criativa que ainda existe no meio-campo brasileiro. Mas qualquer análise precisa ser feita sem nostalgia e sem ansiedade. O Neymar que entrou contra a Escócia está distante daquele jogador que, durante anos, assumiu sozinho a responsabilidade de carregar a Seleção Brasileira.

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O que poderemos esperar mais?
Faltam ritmo de competição, intensidade e explosão física para uma Copa do Mundo disputada em alta velocidade. E isso não se recupera apenas com talento. Neymar precisará ganhar minutos, confiança e condicionamento para voltar a ser decisivo. Hoje, tratá-lo como solução imediata seria um erro. Mas descartá-lo também seria precipitado. A questão é saber até onde o corpo conseguirá acompanhar aquilo que a técnica ainda é capaz de produzir.

A previsão do Rei de Roma
Nesta sexta vamos ter um França e Noruega para decidir quem é o primeiro do grupo. E o ex-técnico do Sport, Paulo Roberto Falcão, ficou impressionado com o futebol apresentado pelo time nórdico, que bateu a Itália duas vezes nas Eliminatórias. Ele colocou os noruegueses como uma das equipes que pode aprontar bem mais nesta Copa. “E vamos saber o que esperar da França. Tem tudo para ser a grande partida da primeira frase”, palavra do Rei de Roma.

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