Seleção Brasileira
Copa de 2026

Maldição nas laterais: Brasil tem série de lesões nas últimas 3 Copas

De Daniel Alves a Wesley: a sina nas laterais assombra a Seleção Brasileira pela terceira Copa consecutiva. Entenda o drama e a nova aposta tática de Carlo Ancelotti

Correio Braziliense

Publicado: 08/06/2026 às 11:28

Wesley, lateral da Seleção Brasileira/Rafael Ribeiro/CBF

Wesley, lateral da Seleção Brasileira (Rafael Ribeiro/CBF)

A Seleção Brasileira vive um drama nas laterais pela terceira Copa do Mundo consecutiva. Em 2018, Daniel Alves se machucou antes da convocação de Tite para a Rússia. Quatro anos depois, Guilherme Arana sofreu lesão faltando dois meses para a bola rolar no Catar. Nas quartas de final contra a Croácia, o zagueiro Éder Militão assumiu o lado direito no improviso e Danilo foi deslocado para a esquerda por causa das lesões de Alex Sandro e Alex Telles. Menos de uma semana antes da estreia nos Estados Unidos, Wesley é o personagem do mais novo episódio.

Aos 22 anos, o lateral-direito está fora da Copa. O técnico Carlo Ancelotti decidiu cortá-lo. Um exame de imagem realizado ontem, às 7h em New Jersey, 8h no Brasil, diagnosticou uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda. O Correio apurou que a contusão é de grau 3 em uma escala até 4. Consequentemente, não haveria tempo para a recuperação.

Wesley se lesionou aos 16 minutos do primeiro tempo na vitória por 2 x 1 contra o Egito em Cleveland e foi substituído por Danilo. Chorou no banco de reservas e deixou o estádio em direção ao ônibus mancando em um indicativo da gravidade. Embarcou rumo a New Jersey com horário marcado para a consulta. Às 12h07, a CBF oficializou o desligamento do jogador da Roma e a escolha do volante Éderson da Atalanta.

Em dia de folga da Seleção, Wesley se manifestou nas redes sociais. “Nem toda batalha é vencida no campo. Hoje, preciso interromper um sonho por causa de uma lesão. Dói não poder continuar vestindo a camisa da Seleção Brasileira neste momento, mas quem conhece a minha história sabe que desistir nunca foi uma opção”, escreveu o lateral.

“Eu vim de longe. Passei por dificuldades, enfrentei desafios e precisei superar muitos obstáculos para chegar até aqui. Nada me foi dado. Cada conquista foi construída com trabalho, fé, sacrifício e muita resiliência. Por isso, encaro esse momento da mesma forma que encarei todos os outros: de cabeça erguida, com confiança em Deus e a certeza de que voltarei ainda mais forte”, acrescentou Wesley.

Depois da publicação, uma onda de solidariedade viralizou nas redes sociais com apoio a Wesley. A CBF publicou “Força, Wesley”. O Flamengo postou “Estamos sempre contigo, Wesley”. Colegas do jogador da Roma nos tempos de Flamengo também se manifestaram como Gerson, Bruno Henrique e o comentarista Leovegildo Júnior, o maestro.

“Obrigado a todos pelas mensagens, pelo carinho e pela torcida. Esse não é o fim de um sonho. É apenas mais um capítulo na minha história”, afirmou, concluindo com um versículo bíblico de Joel 2:25. “O Senhor diz: “Eu te devolverei sete mais o que perdeste”.

Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão

Versatilidade
A troca do lateral-direito por um meia tem lógica. Na ótica de Carlo Ancelotti, o volante Fabinho pode ser um lateral-direito em caso de emergência. Ele iniciou a carreira no Fluminense justamente na posição. Passou pelo Rio Ave, Real Madrid Castilla e Monaco na função de origem até o atual técnico do Flamengo, o português Leonardo Jardim, notar potencial no jogador para a função de volante. A guinada o consolidou na função no Monaco, no Liverpool da Inglaterra e no Al-Ittihad da Arábia Saudita.

Antes disso, Dunga, sucessor de Luiz Felipe Scolari na Seleção depois da Copa de 2014, curtiu Fabinho na lateral direita e o convocou justamente na posição de origem. Chamou o jogador pela primeira vez em 2014 para substituir Maicon devido a um ato de indisciplina do veterano. O paulista de Campinas trabalhava com o elenco da seleção olímpica e se apresentou ao capitão do tetra para a primeira aventura na Amarelinha.

Fabinho passou a competir com Danilo pela posição. Entrou no lugar dele na vitória por 3 x 0 contra o México no Allianz Parque. Foi titular pela primeira vez em um amistoso contra Honduras no Beira-Rio, em Porto Alegre. Entrou na lista para a Copa América de 2015 no Chile como lateral-direito. Seguiu no grupo depois do torneio e assumiu a camisa 2 em um amistoso disputado em Boston contra os Estados Unidos.

Em 2016, passou a fazer sombra a Daniel Alves em um amistoso contra o Panamá antes da Copa América Centenário e começou a desaparecer da convocação quando Leonardo Jardim começou a deslocá-lo da lateral direita do Monaco para o papel de volante.

Tite convocou Fabinho como lateral-direito, mas depois passou a chamá-lo no papel de volante devido ao sucesso dele no Liverpool na função de cabeça de área. O jogador ficou fora da lista final para a Copa do Mundo de 2018. Perdeu a concorrência pela posição para Fernandinho, mas não saiu do radar de Tite depois da eliminação contra a Bélgica.

No ciclo passado, foi utilizado como lateral em uma vitória contra os Estados Unidos em setembro de 2018, justamente no MetLife Stadium; contra a Arábia Saudita em Ryad; e diante da Argentina em um clássico centenário. Tite relacionou Fabinho para a Copa América de 2021 e o leva para a Copa do Mundo de 2022 como volante.

Memória
20 anos depois...
A Seleção Brasileira não tinha jogador cortado antes da Copa do Mundo desde 2006. À época, o zagueiro-volante Edmílson sofreu lesão e o técnico Carlos Alberto Parreira decidiu cortá-lo para convocador o volante Mineiro. Desde então, não houve baixas em 2010, 2014, 2018 e em 2022. Carlo Ancelotti é o primeiro a sofrer danos após duas décadas de escrita.

 

 

Mais de Seleção Brasileira

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas

WhatsApp DP