Clima de Copa do Mundo invade as ruas do Recife com decorações e pinturas do Brasil
Unindo tradição e entusiasmo pela Seleção Brasileira, a população enfeita a cidade na expectativa do Mundial disputado na América do Norte
Publicado: 06/06/2026 às 07:00
Rua Lopes de Carvalho, no bairro da Madalena, em clima de Copa do Mundo (Rafael Vieira / DP Foto)
Para além do futebol jogado em campo, um dos maiores marcos da Copa do Mundo durante as décadas é a capacidade quase inigualável de mobilizar pessoas. O “clima de Copa” vai aos poucos tomando conta das cidades, bairros, ruas e localidades.
Próximo ao Mundial de 2026, que terá início no dia 11 de junho, as ruas da cidade do Recife não escaparam das tradicionais decorações e pinturas nas ruas tão marcantes em época de Copa.
Mesmo em um mundo cada vez mais digital, parte da população se apega à tradição de colorir a cidade de verde e amarelo, em momentos históricos de confraternização, entusiasmo e esperança pelo hexacampeonato da Seleção Brasileira.
Na Rua Lopes de Carvalho, no bairro da Madalena, os torcedores brasileiros cultuam um legado de decorar a rua que vem desde quando a Amarelinha era apenas tricampeã do mundo. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, as irmãs Suely Cohen e Sheila Cohen relataram como surgiu a tradição que vem se estendendo desde o século passado.
“Começou com os encontros para ver os jogos com amigos e família na Copa de 1990, que quase sempre era na minha casa. No ano de 1994, pensei em pintar a bandeira como uma forma de reunir os amigos e seus filhos, mas essa pintura contagiou as pessoas da redondeza que vinham chegando e pedindo para pintar, e claro que estava aberto a todos”, relatou a moradora Suely Cohen.
“Nesse ano conseguimos levar a taça e isso nos motivou a pintar na próxima Copa, que deixamos escapar. Mas, em 2002, pintamos novamente, sempre acompanhada de uma feijoada, e dessa vez levamos a taça. Ganhando ou perdendo, sempre pintamos a bandeira e outros desenhos”, concluiu.
A tradição se enraizou tanto nos moradores da rua que envolveu até pessoas que não eram sequer nascidas no icônico tetracampeonato nos Estados Unidos. O caso ocorre com a torcedora Clara Campos, que morava com a sua avó quando se juntou para pintar a rua pela primeira vez.
“Eu nasci em 2000 e morava no prédio localizado na rua junto com minha avó, que mora lá até hoje, e minha família. Ao longo do tempo nós descíamos e participávamos. Com 10 anos me mudei junto com minha mãe e, em 2013, nasceu meu irmão. Toda vez que recebemos o convite a gente permanece indo e hoje em dia levamos meu irmão, que ainda é criança, para ter a mesma experiência que tivemos durante muitos anos”, disse a torcedora.
Sobre a confecção das pinturas para 2026, Clara Campos relatou como foram feitos os trabalhos para deixar a rua 100% vestida de Brasil, em um momento de grande confraternização e descontração. “Fizemos a pintura domingo, dia 31 de maio. Sheila (Cohen) sempre organiza um dia de feijoada e chama todo mundo para levar petiscos e ajudar na pintura da bandeira”, iniciou.
“Esse ano ela até disse que estava pensando em não pintar, mas como muitos começaram a perguntar quando seria o dia, ela decidiu organizar rapidamente. No dia choveu bastante pela manhã, mas para a nossa alegria abriu um sol lindo e se manteve assim o resto do dia, com a gente conseguindo fazer artes lindas. Normalmente só era pintada a bandeira. Na última Copa tivemos a ideia de colocar ‘Rumo ao Hexa 2022’. Esse ano mudamos os 2022 para 2026, reforçamos a pintura da Copa passada e acrescentamos a pintura de um Zé Carioca, estrelas do hexa, camisa oficial da Copa e uma homenagem ao nosso grande e querido jogador Pelé”, concluiu a torcedora.
O sentimento das torcedoras contrasta com a expectativa de boa parte dos brasileiros, que se mostram pessimistas quanto às chances de o Brasil voltar ao topo do mundo. Segundo Clara, o clima de descrença pode fazer a Seleção Brasileira se superar.
“Escuto muita gente dizendo que esse ano não iremos ganhar, que a seleção não está tão boa, entre outros comentários. Em contrapartida, também escutei alguns colegas dizendo que acreditam que o Brasil esse ano ganha, pois da última vez que venceu ninguém tinha esperança nem acreditava na seleção. Esse ano estamos do mesmo jeito, então vamos vencer para quebrar todas as expectativas. Eu me mantenho confiante e com esperanças de que o hexa vem”, externou.
No bairro de Areias, também no Recife, os moradores da Rua Camará não ficam para trás no quesito decoração para a Copa do Mundo. No local, crianças participam ativamente das pinturas e da confecção das decorações, com direito à pista da brincadeira Amarelinha com as cores do Brasil.
Em entrevista ao Diario, a morada Juliane Lins externou a importância desta tradição na Copa do Mundo, sobretudo para as próximas gerações.
“É um sentimento de amor, amizade e união muito grande. Não é só um jogo, é a gente manter viva as memórias, principalmente nas crianças de hoje em dia. Queremos que as crianças que convivem com a gente guardem na memória toda essa empolgação, energia e clima de Copa, de ver o Brasil jogar e torcer”, pontuou a morada da Rua Camará, em Areias.
Apesar das mudanças culturais que o tempo traz, as tradições de décadas passadas se mantêm firmes quando o assunto é torcer pela Seleção. Mesmo igualando o seu maior jejum da história, 24 anos sem título, o Brasil segue mobilizando as pessoas, com o Mundial de seleções se mantendo com o potencial para ser uma grande festa popular em qualquer lugar.
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