Executivo do Santa Cruz expõe salários atrasados e detona projeto de SAF: 'Não fez nada'
Executivo do Santa Cruz, Alex Brasil, afirma que promessas de SAF inflaram folha e prejudicaram o clube
Publicado: 19/05/2026 às 14:54
Cristian de Souza, técnico, executivo, Alex Brasil e Bruno Rodrigues, presidente do Santa Cruz (Evelyn Victoria/SCFC)
O ambiente de calmaria do Santa Cruz dentro das quatro linhas, não é o mesmo fora de campo. Em entrevista ao programa Léo Medrado & Traíras, o executivo de futebol do clube, Alex Brasil, expôs a grave crise financeira que assombra o Arruda. O dirigente confirmou atrasos salariais que afetam jogadores e funcionários, criticou duramente a condução das negociações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e alertou que a fama de "mau pagador" do clube precisa acabar para não comprometer o trabalho de reconstrução do elenco.
O "efeito colateral" da SAF
O ponto central das críticas do dirigente foi a frustração em torno da SAF. De acordo com Alex Brasil, a expectativa da chegada de investidores fez com que o planejamento financeiro fosse inflado, gerando um aumento na folha salarial que, no fim das contas, virou um problema exclusivo do clube associativo.
"Essa questão da SAF foi colocada aí que vinha, e muitos desses caras que vieram falar, fizeram o aumento dessa folha. Que na verdade, ficou tudo para a associação. Essa SAF que esses caras fizeram, não fizeram nada. Então isso também prejudicou muito o trabalho, aquilo que tinha tudo em meta", disparou o executivo.
Apesar das críticas ao processo, o dirigente fez questão de blindar o presidente Bruno Rodrigues e seus pares, reconhecendo o empenho da atual gestão em tentar regularizar as pendências.
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Gestão de pessoas e risco jurídico
O papel do executivo tem sido manter o grupo focado. O profissional destacou o lado humano da crise, lembrando que a inadimplência afeta diretamente o sustento de funcionários que recebem salários menores.
"Você fazer gestão de pessoas é complicado. Como você deixa todo mundo motivado? Tem pais de família que estão com necessidade. Isso tem que acabar, vai prejudicar o nosso trabalho", alertou. "A gente conseguiu fazer o mais difícil, que todos estavam reclamando, que era montar um novo grupo e permanecer com quem teria que permanecer."
Além do desgaste psicológico, Alex Brasil alertou para o perigo de perder atletas.
Brecha na Justiça: Contratos em atraso abrem precedentes para rescisões unilaterais.
Prejuízo Técnico: O clube corre o risco de perder destaques da temporada de graça.
Fim da cultura do "sempre foi assim"
Ao final de sua fala, o dirigente cobrou uma mudança radical de postura institucional do Santa Cruz. Para ele, o Tricolor não pode mais se escorar no argumento de que as crises financeiras fazem parte da história do clube.
"É difícil a gente falar assim: 'Pô, o Santa Cruz sempre foi assim'. Mas agora não pode ser mais. Tem que virar a chave disso aí. Porque o Brasil todo sempre fala que o Santa Cruz não paga ninguém. É um momento delicado, mas espero que isso acabe o quanto antes", concluiu.