Santa Cruz
COLUNA

Beto Lago: 'Derrota é reflexo dos diversos problemas do Santa Cruz'

O torcedor coral deixou a Arena de Pernambuco carregando mais do que frustração: saiu com a sensação concreta de preocupação com o futuro

Beto Lago

Publicado: 27/04/2026 às 09:20

Torcida do Santa Cruz/Rafael Vieira

Torcida do Santa Cruz (Rafael Vieira)

Queda livre
Repetindo o futebol pobre das últimas rodadas, o Santa Cruz foi superado pelo Amazonas e se distancia do G8 da Série C. O torcedor coral deixou a Arena de Pernambuco carregando mais do que frustração: saiu com a sensação concreta de preocupação com o futuro no Brasileiro.

E isso não nasce apenas do campo. É reflexo direto do turbilhão extracampo: salários atrasados, abandono do Arruda e a desgastante novela da SAF, conduzida de forma errática por quem deveria tratar o tema com a seriedade que a instituição exige.

O clube virou refém de promessas e improvisos. Dentro das quatro linhas, o técnico Claudinei Oliveira optou por um time travado, com três volantes mais preocupados em reagir ao adversário do que em propor o jogo. Faltou coragem, sobrou limitação criativa. A equipe corre, compete, mas não agride. No segundo tempo, a tentativa de ajuste, com Vitinho na vaga do apagado Silva, pouco mudou o cenário. Aos 13 minutos, Nico decidiu para o Amazonas. E, na prática, ali acabou o jogo.

O adversário “cozinhou” o tempo, enquanto o Santa, previsível e desorganizado, foi incapaz de reagir. Já virou padrão: dificuldade de construção, ausência de repertório e nenhuma força ofensiva. A derrota não é apenas ruim, é sintomática.

Expõe um clube desorganizado, vulnerável e sem respostas. A crise surgiu. É grande, interna e externa. E não será resolvida com discurso. Exige ação, comando e decisões firmes. Dentro e fora de campo.

Alívio com ressalvas
Vitória suada do Sport, importante para encerrar o jejum na Ilha em competições nacionais e ganhar fôlego na Série B. O resultado tem peso, ainda mais em um momento de instabilidade. Mas o time segue irregular dentro do próprio jogo: alterna bons momentos com quedas preocupantes de intensidade e organização. Ainda falta consistência para sustentar domínio. Márcio Goiano permanece invicto, o que sustenta o argumento numérico. O desempenho ainda não convence plenamente a arquibancada. Quando alinhar vitória com controle do jogo, sem oscilações e com maior imposição a desconfiança tende a ceder.

Prova de força
O confronto contra o Athletic Club é um divisor claro para o Náutico. Mais do que somar pontos, é a oportunidade de reconstruir a própria imagem após duas derrotas que abalaram confiança e ambiente. Mesmo desfalcado, o adversário mantém organização e se fortalece como mandante. Não será um jogo de concessões. Exigirá maturidade, competitividade e, sobretudo, personalidade. Se o Náutico deseja se posicionar como candidato real ao G6, precisa dar resposta em cenário adverso. É o tipo de jogo que separa intenção de afirmação.

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Limite institucional
Receber ex-dirigentes não é problema, inclusive, contribui para o fortalecimento do futebol pernambucano. O erro está na condução. E aí recai a responsabilidade sobre Evandro Carvalho. Qualquer iniciativa envolvendo o Santa Cruz, especialmente algo sensível como vistoria no Arruda, exige, obrigatoriamente, o aval da gestão vigente. Quando o rito é atropelado, o gesto deixa de ser institucional e passa a flertar com a informalidade. E, em um ambiente já tensionado, isso não ajuda. Só agrava.

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