Beto Lago: "Reformulação não pode ser apenas palavra de efeito no Santa Cruz"
A Cobra Coral chega à Série C pressionada por mudanças estruturais e urgentes no clube
Publicado: 24/02/2026 às 08:12
Jogadores do Santa Cruz ( Rafael Melo/FPF)
Reformulação
Reformulação virou mantra nas Repúblicas Independentes do Arruda. E, desta vez, não há espaço para retórica vazia ou discursos protocolares. Ela não pode ser cosmética. Ela precisa ser estrutural, profunda e imediata. O Pernambucano deveria ter sido "laboratório", campo de testes, base sólida para a disputa da Série C, a competição que realmente importa no calendário coral. Era o momento de ajustar modelo de jogo, consolidar elenco, dar identidade à equipe. Mas o que se viu foi o oposto: um planejamento equivocado desde a raiz. A manutenção de um treinador que não entregaria evolução técnica foi o primeiro erro. A insistência virou teimosia. E a teimosia custou tempo. E tempo é o ativo mais valioso para quem vai disputar um campeonato longo, duro e traiçoeiro como a Série C. As contratações escancararam outro problema: critério. Ou melhor, a falta dele. O nível foi abaixo do que o peso da camisa exige. Trouxe-se por oportunidade de mercado, não por encaixe tático. Formou-se um elenco curto, desequilibrado, carente de peças decisivas. Nos dois clássicos contra o Náutico, houve valentia, entrega, brio. Mas isso vem da arquibancada, vem da camisa, vem da história. Não veio da construção da diretoria de futebol. E isso ficou claro: quando precisou de variação, não tinha; quando precisou de banco, faltou; quando precisou de qualidade, escasseou. Coube a Fábio Cortez tentar arrumar o caos com o incêndio instalado. A Série C não perdoa improviso. São 20 clubes, turno único na primeira fase, 19 jogos de margem mínima para erro. Apenas oito avançam. Dois quadrangulares que definem o acesso. Não há espaço para início titubeante, nem para esperar encaixe no meio do caminho. Quem larga mal costuma pagar com mais um ano no purgatório nacional.
Arrumar a casa
E o Santa Cruz não pode tratar a competição como tentativa. Precisa encará-la como obrigação histórica. Clube do seu tamanho, da sua torcida, não pode normalizar presença na Terceira Divisão. A saída de Harlei Menezes já deveria ter acontecido quando Marcelo Cabo foi dispensado – aliás, ambos nem deveriam ter renovado contrato para 2026. Agora, é redefinir perfil de contratações e trazer um treinador para arrumar a casa.
Na "vera"
A Copa do Brasil aparece no horizonte como vitrine e possibilidade financeira. Mas o grande desafio é a Série C. Se seguir na mesma linha de trabalho, insistindo nos mesmos erros e nos mesmos responsáveis, o risco é repetir o roteiro recente: frustração, discurso de reconstrução e mais um ano perdido. Reformulação não pode ser palavra de efeito. Precisa virar ação. Que a coletiva do presidente Bruno Rodrigues possa trazer esse novo caminho. E que a reformulação seja feita na "vera".
Azulão e a história
Hoje, o Maguary escreve mais um capítulo da sua história no futebol nacional. Pela segunda fase da Copa do Brasil, enfrenta o Fortaleza, no Castelão, naquele que será o primeiro jogo oficial do Azulão fora do Estado. Será que consegue transformar ousadia em façanha e derrubar um dos pesos pesados da região?