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OPINIÃO

Beto Lago: 'No Náutico, o combinado saiu caro'

O Náutico precisa definir quem, de fato, responde pelo futebol e quem será cobrado pelos resultados

Beto Lago

Publicado: 14/07/2026 às 09:32

Guilherme e Hélio dos Anjos em treino no Náutico/Gabriel França / CNC

Guilherme e Hélio dos Anjos em treino no Náutico (Gabriel França / CNC)

Hora da verdade
O combinado não sai caro. A velha frase popular ajuda a explicar o momento vivido no Náutico. Ao fim da temporada passada, quando iniciou a negociação para renovar seu contrato, Hélio dos Anjos apresentou suas condições para permanecer nos Aflitos. Entre elas, tudo indica que estavam a presença do filho, Guilherme, como um segundo treinador ao seu lado; um aumento salarial – fala-se em torno de R$ 500 mil mensais para a comissão técnica – e, principalmente, o controle do departamento de futebol.

Sem executivo, nem diretor estatutário interferindo. A palavra final seria de Hélio. Bruno Becker aceitou o modelo. O problema é que o projeto não entregou o resultado esperado. O time que começou o ano apontado como favorito ao título pernambucano viu a taça escapar dentro de casa, com uma goleada sofrida para o maior rival. Depois, a equipe perdeu força, o elenco mostrou limitações evidentes, os bastidores passaram a conviver com conflitos e as dificuldades financeiras voltaram a fazer parte do dia a dia. Agora, Bruno Becker chega ao momento mais delicado de sua gestão.

Diante da imprensa e da torcida, terá de assumir uma posição clara. Existem três caminhos: manter Hélio dos Anjos e preservar toda a estrutura atual; manter o treinador, mas retirar dele o comando absoluto do futebol, profissionalizando o departamento com a chegada de um executivo; ou promover uma ruptura completa, encerrando o ciclo de Hélio e Guilherme nos Aflitos.

Qualquer escolha terá consequências. O que já não cabe mais é a omissão. O Náutico precisa definir quem, de fato, responde pelo futebol e quem será cobrado pelos resultados. Quem aceita todas as condições também assume toda a responsabilidade pelo desfecho. Pelo jeito, o combinado saiu caro.

Tempo para corrigir a rota
Ainda há tempo para corrigir a rota. A Série B segue aberta, e o sucesso depende, agora, da capacidade de reação. Porém, é preciso reconhecer que as falhas são claras, estão expostas a cada rodada e apontadas por torcedores e imprensa. Quem insiste em ignorá-las prolonga a crise. Quem tiver humildade para ouvir, corrigir e profissionalizar recoloca o barco no rumo certo e transforma uma temporada problemática em uma campanha de recuperação.

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O tempo cobra
Há um ano, o Santa Cruz fazia sua última partida com público no Arruda. Desde então, o estádio permanece fechado, cercado por promessas, anúncios e prazos nunca cumpridos. Diante dessa boa recuperação, o torcedor do Tricolor vive a expectativa de conquistar o acesso à Série B. Isso significaria um calendário nacional cheio, jogos em horários variados e a necessidade de contar com a força da sua torcida em casa.

Onde encontrar o dinheiro?
Ao mesmo tempo, em 2027, a Arena de Pernambuco estará comprometida com partidas da Copa do Mundo Feminina, reduzindo as opções para o clube mandar seus jogos. O grande obstáculo é conhecido: o Santa Cruz não dispõe de R$ 10 milhões necessários para iniciar a recuperação do Arruda. Sem recursos – que afetam salários de atletas e comissão técnica – e sem uma solução concreta, o relógio corre contra o clube.

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