Beto Lago: 'O fim de semana desastroso do Trio de Ferro'
O trabalho da comissão, liderada por Hélio e Guilherme dos Anjos, passa por um ponto inegociável: correção e mental
Publicado: 20/04/2026 às 09:22
Wenderson, volante do Náutico (Rafael Vieira /CNC)
Domínio vazio
De cabeça mais fria, até por ter sido no sábado os jogos do Trio de Ferro, vamos analisar melhor sobre desempenho e expectativa. Começando com o Náutico, que perdeu de 3x0 para o São Bernardo, nos Aflitos, e que não pode ser tratada como um acidente isolado. O pênalti perdido no primeiro minuto, claro, mudaria o roteiro emocional do jogo. Mas reduzir o resultado a esse lance é confortável e superficial. O Náutico volta a apresentar um padrão que já começa a preocupar: controla o adversário, produz volume, mas falha de forma recorrente onde o futebol é decidido: na finalização. Contra o time paulista, 61% de posse de bola, 18 finalizações, mas apenas duas no gol. São dois jogos com o mesmo enredo e o mesmo desfecho. E isso deixa de ser detalhe para virar sintoma. A equipe constrói, mas não conclui. E quando não resolve na frente, expõe ainda mais um sistema defensivo que tem sido penalizado por erros individuais. O trabalho da comissão, liderada por Hélio e Guilherme dos Anjos, passa por um ponto inegociável: correção e mental. E não é ajuste fino, mas intervenção direta. O elenco é esse. E, com ele, o Náutico precisa encontrar soluções urgentes para problemas que já apareceram em momentos decisivos do Estadual e agora se repetem no Brasileiro. Persistir no erro, neste cenário, não é insistência. É negligência competitiva.
Dos três grandes, o Sport foi quem não perdeu. Mas não sustenta discurso otimista. O empate não pode ser tratado como avanço quando o desempenho segue limitado. Efetivado, Márcio Goiano precisa assumir o “papel efetivo”. O Sport segue previsível. Cria pouco, quando tenta agredir o faz de forma desorganizada, depende mais de lampejos individuais. Defensivamente, não transmite segurança. A semana cheia oferece algo raro no calendário: tempo. E neste momento, precisa ser sinônimo de mudança. O Sport necessita ampliar seu repertório tático e, sobretudo, deixar de ser “suficiente”. Porque na Série B, o suficiente não sustenta ambição.
Desempenho no campo é reflexo de fora
Dentro de campo, o Santa Cruz foi um time pobre em ideias. Abriu mão de construir, apostou quase exclusivamente na bola alçada e se tornou previsível: fácil de marcar, simples de anular. Mas a análise que se limita às quatro linhas é incompleta. O futebol apresentado é reflexo direto de um ambiente fragilizado. Salários atrasados, indefinições sobre a SAF e um estádio que simboliza abandono não são apenas pano de fundo, mas fatores que interferem diretamente no rendimento. Afetam confiança, concentração e competitividade. O Santa Cruz entra em campo já desgastado por fora. E isso, inevitavelmente, aparece dentro.
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Ausência que fala
Em momentos de crise, a presença institucional deixa de ser formalidade e passa a ser posicionamento. Quando o dirigente máximo não estar ao lado do elenco abre espaço para interpretações inevitáveis. Evitou o ambiente de cobrança? Subestimou o peso do momento? Independentemente da resposta, o efeito é negativo. Liderança se afirma, sobretudo, na adversidade. E, neste caso, o vazio na delegação do Santa Cruz falou mais alto do que qualquer explicação.