Beto Lago: 'Implantação gradual do Fair Play no futebol brasileiro divide opiniões'
Modelo previsto até 2029 busca corrigir décadas de má gestão, mas levanta debate sobre a falta de impacto imediato
Publicado: 06/01/2026 às 09:11
Samir Xaud, presidente da CBF (Rafael Ribeiro/CBF)
Choque imediato
O anúncio do Fair Play financeiro da CBF trouxe expectativas positivas em termos de punição aos clubes, que seguem com décadas de má gestão e dívidas crescentes, o que permite uma disparidade competitiva – aqueles que seguem às regras financeiras e outros que brincam de fazer futebol, sem punição alguma. Porém, a implementação gradual do sistema divide opiniões entre dirigentes e especialistas nos esportes. Para o advogado João Antônio de Albuquerque e Souza, ex-presidente do TJD de Antidopagem, a implementação gradual, prevista até 2029, é um ponto que divide opiniões, pois, se por um lado permite adaptação e evita um choque imediato em estruturas frágeis, por outro, prolonga um modelo que já não se sustenta. “O futebol brasileiro vive um ciclo permanente de urgência: clubes gastam mais do que arrecadam, apostam em soluções de curto prazo e repetem erros que os afastam da sustentabilidade de longo prazo”, disse. Para ele, o Fair Play financeiro não pretende impedir investimento ou limitar a competitividade, mas forçar a responsabilidade. “Ao centralizar dados, padronizar processos e exigir previsibilidade, cria-se um ambiente em que decisões deixam de ser tomadas com base apenas na euforia esportiva e passam a respeitar critérios técnicos de viabilidade”, explica, com razão. E aqui dois pontos principais: para o torcedor, menos temporadas de euforias seguidas de crises e colapsos; e para o mercado, clubes com gestões mais sérias e com segurança jurídica.
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O fair play não é apenas uma mudança normativa, mas um termômetro de maturidade institucional. E seu sucesso dependerá da rigidez na fiscalização, da transparência das informações e da capacidade de aplicar sanções. “Se funcionar, o Brasil dá um passo real rumo à profissionalização. Se falhar, continuará preso ao círculo vicioso que combina paixão, improviso e crise permanente, um jogo no qual todos perdem”, diz João Antonio.
Endividamento dos clubes
O futebol brasileiro exige um freio de arrumação urgente. De acordo com a consultoria Sports Value, o endividamento total dos clubes brasileiros ultrapassou a marca de R$ 12 bilhões ao fim do ano passado, quando no ano anterior era de quase R$ 10 bilhões, com Corinthians e Atlético/MG liderando “os mais endividados”. Por coincidências, dois clubes que seguem aumentam o rombo com contratações caras e absurdas para o padrão brasileiro.
Ex-rivais no Defensa
Além de um bom teste para o Santa Cruz, o duelo contra o Defensa y Justicia, pela Vitoria Cup, carrega ingredientes que despertam a curiosidade no torcedor coral. Do outro lado estarão Mariano Soso, técnico argentino que comandou o Sport em 2023/24 e conhece bem o ambiente do futebol local, e o atacante Lenny Lobato, que foi do Leão até o ano passado.