Coluna Além da Bola: Sopram os ecos do passado
A cada jogo e a cada eliminação nos Estados Unidos, Canadá e México, ecoam ventos de 1998, na França
Publicado: 02/07/2026 às 14:14
Partida entre Noruega x Brasil na Copa do Mundo de 1998 (Divulgação / FIFA)
A Copa de 2026 está com cara de vale a pena ver de novo, um programa de TV que ainda passa novelas antigas no meio da tarde.
A cada jogo e a cada eliminação nos Estados Unidos, Canadá e México, ecoam ventos de 1998, na França.
Quem tem idade suficiente para se lembrar do Mundial realizado há 28 anos, perceberá algumas coincidências.
Vejamos.
Na Copa promovida pelo país de Napoleão Bonaparte, o Brasil pegou Escócia, Marrocos e Noruega. Tudo isso na primeira fase.
Por acaso do destino e das mãos de quem sorteou os grupos desse torneio que está rolando agora, essas três seleções brotaram no caminho da Canarinho.
Lá atrás, o time nacional era dirigido pelo velho Mário Jorge Lobo Zagallo e tinha Zico como coordenador técnico.
O esquadrão verde e amarelo vinha do Tetra, nos Estados Unidos, em 94, e contava com uma constelação entre os convocados.
Resgatemos.
Os laterais eram Cafu e Roberto Carlos. Dunga, o capitão que levantou a taça quatro anos antes, ainda está “xerifando” o meio campo.
Ronaldo, que era um menino na conquista em solo norte-americano, tinha virado o maior do mundo e era a nossa grande esperança.
Ao lado dele, o pernambucano Rivaldo trilhava uma carreira incrível, de quem também seria o Bola de Ouro, dois anos depois.
Outra coincidência.
Durante todo o processo de preparação, houve o embate sobre as condições físicas de um craque, de um ídolo capaz de mexer com o imaginário nacional: Romário.
Antes de a bola rolar, o Baixinho, “o cara”, em 94, foi cortado e passou a travar uma “guerra” com Zagallo e Zico, apontados como culpados pela ausência dele na França.
Ao contrário do eterno artilheiro de Vasco, Flamengo PSV e Barcelona, este ano, Neymar Jr. conseguiu se manter no grupo e até estreou no Mundial de 2026, mesmo fora de forma e sem desenvolver um milésimo do que já tinha mostrado em campo no passado.
Polêmicas à parte, o time chegou quase pronto para a Copa de 98.
Bebeto, também herói do terá, era o companheiro de Ronaldo no ataque. O competente César Sampaio reforçava o meio e zaga contava com “monstro” Aldair e o “temerário Júnior Baiano (anotem esse nome).
Voltando à fase de grupos em 98, na estreia, no primeiro jogo da Copa, Aa Escócia endureceu e o Brasil foi salvo por um gol contra anotado por um tal de Tom Boyd. Valeu, velho. Final: 2 xa 1 para a gente.
Lembrando, que este ano, há alguns dias, vencemos os tomadores de uísque por 3 a 0, com o show de Vini Jr.
Na segunda partida, pegamos Marrocos, que era bem diferente desse time atual.
Foi tranquilo e bem distante daquele sufocante 1 x 1, da estreia em 2026. Fizemos 3 x 0 , com direito ao primeiro gol marcado em Copas por Ronaldo, quase Fenômeno.
Aí, apareceu a Noruega. O Brasil estava classificado para as oitavas (não tinha a segunda fase de mata-mata) e entrou com um pouco de “salto alto”.
Na época não tinha internet direito e rede social e zap zap eram coisas de ficção científica. Assim era mais complicado saber detalhes dos adversários…
Para a maioria da população, inclusive eu, era um bando de galego grande que dizia jogar bola.
Deu ruim.
Bebeto fez 1 z x0 e depois o Brasil foi atropelado pelo barco Viking. A crueldade foi o pênalti cometido por Júnior Baiano (eu disse para gravar o nome).
Ele puxou a camisa de um dos galegos dentro da área e o bandeirinha dedurou. Na transmissão, Galvão Bueno ficou enfurecido, já que as principais câmeras não tinham flagrado o delito.
Pouco depois, surgiu uma imagem, registrada atrás do gol defendido por Taffarel, mostrando que o nosso zagueiro tinha aprontado uma das suas barbeiragens.
Resultado: perdemos por 2x1. E mais. Foi mais um capítulo de um tabu, que ainda aponta o retrospecto negativo da nossa seleção diante dos escandinavos. Jogamos quatro vezes e nunca ganhamos.
Será, Brasil? Agora vai?
Colocando mais linhas no livro das coincidências dentre 98 e 2026, é preciso recordar de outro confronto já marcado para as oitavas de final: França x Paraguai.
Há 28 anos, os franceses não eram essa máquina toda, com Mbappé, Olise, Doué e até Dembélé.
Tinha um goleiro pequeno e sortudo, o tal Barthez, uma defesa sólida, com Blanc e Desally, e o xerifão Didier Deschamps, atual técnico do esquadrão. O ataque era bem mequetrefe, com Dugarry e Guivarc’h.
Os franceses pegaram um Paraguai que tinha o goleiro-marqueteiro Chilavert (que fazia gols de falta e pênalti) e dois conhecidos do futebol brasileiro.
O lateral direito Arce, atleta do Grêmio e Palmeiras, e inabalável Gamarra, do Corinthians, o beque que disputou quatro jogos naquela Copa e só fez uma falta.
Sem Zidane, suspenso, os franceses penaram contra o futebol paraguaio (com todos os trocadilhos possíveis). O zagueirão Blanc fez um gol de cabeça na prorrogação, decretando o 1 x 0.
É preciso lembrar que na época tinha um tal de Golden goal, ou gol de ouro.
Para explicar melhor aos mais novos: como se fosse uma pelada de casados contra solteiros, quem fazia um gol, ganhava, mesmo antes dom fim do tempo regulamentar. Pense numa ideia de jerico (sem ofender os pobres animais).
Como nem sempre aparecem memórias boas, é necessário dizer que depois dessas coincidências todas, em 98, Brasil x França fizeram final, em Paris.
Deu ruim parte 2.
Zidane voltou da suspensão, fez dois gol de cabeça, Pettit fechou a tampa do caixão e perdemos por 3 x 0.
Dias depois, descobriu-se que nosso Ronaldo teve uma convulsão no hotel, horas antes de a partida começar. Ele foi par o hospital, voltou, exigiu jogar mesmo assim e o Brasil não viu a cor da bola.
O tempo passou e o futebol mudou. O Brasil está tentando se arrumar e a França é um timaço
Nas voltas que o mundo e a bola dão por aí, quem sabe não teremos um novo encontro. Paris, a Revanche?
Mas vamos combinar: esse vale a pena ver de novo tem que terá que guardar um final feliz, para a gente, é claro.
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