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Coluna Além da Bola: O legado do Galinho

Queiram ou não, Zico foi um gênio dentro e fora de campo

Ricardo Novelino

Publicado: 28/06/2026 às 08:00

Zico em ação pela seleção brasileira/Acervo/CBF

Zico em ação pela seleção brasileira (Acervo/CBF)

O dia 13 de dezembro de 1981 é um marco para o futebol brasileiro.

Naquele dia, diante de 62 mil extasiados espetadores, o maior time da história do Flamengo deu um baile no até então inabalável Liverpool.

Um 3 a 0 incontestável, ainda no primeiro tempo. E no comando de tudo, estava o sr Artur Antunes Coimbra, o Zico, um dos maiores craques de todos os tempos.

Queiram ou não, o Galinho de Quintino foi um gênio dentro de campo. E, mais importante, um exemplo fora das quatro linhas.

Realizado em Tóquio, aquele jogo, com certeza, serviu como a apresentação do cartão de visitas do eterno camisa 10 da Gávea para os japoneses.

Zico saiu do gramado com troféus, louros, medalha e carro. Ele, ali, deixou a primeira semente de uma história que mudaria os rumos do esporte bretão lá do outro lado do mundo.

Um ano depois, Zico figurou em um dos escretes mais lendários da Seleção Brasileira. Uma equipe que inspirou nada menos do que Pep Guardiola, o técnico espanhol que chacoalhou as estruturas e criou um a marca nos clubes que dirigiu e colocou no alto do pódio.

É difícil esquecer: Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico formaram o “verdadeiro quadrado mágico”. Com os quatro, o time de Telê Santana encantou, virou referências, mas infelizmente, sucumbiu diante de uma Itália poderosa, que ganhou o Mundial da Espanha de 82.

Guardadas as devidas proporções, a Tragédia do Sarriá, em 5 de julho, foi quase um “Maracanaço” de uma geração. Mas ficou o legado. Poucos são os times que ficam no imaginário popular mesmo sem vencer a Copa.

Talvez, seja o caso também da Hungria, de Kocsis e Puskas, em 54, na Suíça, e a Holanda, de Cruyff, 20 anos depois, na Alemanha, quando o Carrossel parou no fortíssimo pragmatismo germânico.
Zico ganhou tudo no Brasil e na América, foi para o Udinese, da Itália (uma espécie de Chapecoense da Série A italiana).

Mesmo assim, brilhou num campeonato que tinha Maradona, Platini , Bonieck e todos os craques da Azzurra Campeã de 82.

Vítima de uma entrada criminosa de um beque do Bangu, em 85, teve um dos joelhos destruídos. Com força de vontade e uma abnegação inigualável, voltou para a Copa do México em 86. Lá, ficou marcado pela perda de um pênalti contra França, nas quartas de final, justamente num dia em que o Brasil dominou as ações em campo. Isso faz com que muita gente insista em tirar a importância dele para a história do futebol nacional.

E ai vem a pergunta: o que importa se não ganhou Copa?

Resposta simples: Paulo Sérgio (e não é o cantor) estava no Tetra. Duvido que alguém se lembre dele. Foi como ídolo consagrado e imortalizado em prosa e verso, driblando as adversidades e desconfiança, que Zico decidiu se aposentar da Seleção e deixar o Brasil para ir para uma missão: inspirar e levar os japoneses a, de fato, gostarem do jogo de bola.

Recém-lançado, o filme “Samurai de Quintino” mostra o que Artur Antunes Coimbra fez na terra do Sol Nascente.

Poucos astros do rock têm esse status por lá. O galinho virou até estátua. Parece que o tempo dele Kashima Antlers não passou. Em algumas temporadas, nos anos 90, o camisa 10 virou sinônimo de um futebol, que seria consolidado logos depois com a J League.

Em 2026, comandou a seleção Nipônica na Copa da Alemanha contra o Brasil, em um jogo da fase classificatória. Do banco do adversário, viu Ronaldo Fenômeno e companhia marcarem um 4ª 1. Aquela derrota em Copa foi incapaz abalar a confiança e o amor dos caras pelo seu ídolo máximo.

A relação entre Zico e Japão, e vice-versa, é tão forte que, após a conquista do segundo lugar no grupo do Mundial 26, na noite de quinta (25), o técnicos japonês falou sobre o Galinho. O time nipônico tinha acabado empatar de 1 a 1 com a Suécia e conformar o direito de pegar a ‘canarinho” na segunda (29).

O comandante do esquadrão nipônico, Hajime Moriyasu, concedeu entrevista à mídia japonesa e declarou, com todas as letras, ou aqueles símbolos esquisitos:

“Ele nos conduziu a poder competir na Copa. Ofereceu muito ao Japão. Espero que eu também possa fazer isso e tomara que eu possa falar com Zico antes do jogo com o Brasil”.

Pelo visto, os caras não esquecerão nunca o legado do Galinho. Eles não são Jorge bem, não morrem pelo Flamengo nem tem uma nega chamada Tereza. Mas, com certeza, são fãs de Zico, como os brasileiros.

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