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Opinião

Coluna Além da Bola: O negócio é ter saúde

No futebol, em que cada metro quadrado de grama vale um prato de comida, parece que o nosso camisa 10 terá dificuldades

Ricardo Novelino

Publicado: 22/06/2026 às 10:17

Neymar e Carlo Ancelotti, atacante e técnico da Seleção Brasileira /MAURO PIMENTEL / AFP

Neymar e Carlo Ancelotti, atacante e técnico da Seleção Brasileira (MAURO PIMENTEL / AFP)

Os jogos da primeira fase da Copa das Copas evidenciaram uma questão importante do futebol praticado nos dias de hoje nos grandes centros da Europa.

O preparo atlético dos atletas conta cada vez mais. Para ganhar jogo, tem que ter saúde.
Não que o craque, capaz de dar um drible desconcertante ou achar um cantinho para tirar a bola do goleiro, na pequena área, tenha virado coisa do passado.

Esse toque de classe sempre foi e sempre será letal numa partida de mundiais.

Mas tem ficado claro: quem não estiver pronto para suar, levar bordoada, encontrão e saltar bem alto numa cobrança de escanteio, aos 55 do segundo tempo, está ferrado.

Só tem gente “grande”, literalmente, em campo. Pegue os lances de Senegal X França, Costa do Marfim X Equador ou o time da Noruega.

E contato físico o tempo todo. À vezes, o que seria falta, nos nossos campeonatos locais, passa direto pela arbitragem.

E não adianta cair e rolar e ficar pedindo cartão ou análise do VAR ou fazendo “bolinho” junto ao juiz para se mostrar indignado.

Tem que levantar e correr. Aliás, o verbo “correr” deve ser o mais conjugado pelas seleções ao longo do torneio.

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Nem todo mundo tem um Messi ou Mbappé, para ganhar num toque,

A maioria é mesmo “japonês”. Sem desmerecer os nipônicos, que jogaram até direitinho contra a Holanda.

Mas está tudo muito igual. Os caras jogam nas mesmas ligas internacionais, os técnicos sabem de tudo, assistem até Central de Caruaru X Ypiranga, no Youtube.

E, principalmente, medem tudo. Medes quanto o atleta corre e como corre. Medem se ele tem impulsão de tantos centímetros no início ou no fim do jogo.

E a Copa cada vez mais tecnológica. Tem GPS, controle de cargas e equipamentos da Nasa para fazer Raio-X de jogador.

Essa é a primeira Copa com uma fase a mais. Quem chegar até a final, em julho, terá que entrar bem em oito partidas e não em sete, como no passado recente, ou seis, até os anos 90.

O torneio terá duração de 39 dias. Está sendo jogando em três países diferentes, pela primeira vez. E tome avião. E tome deslocamento. E tome desgaste.

Já se foi o tempo em que o jogo durava 90 minutos. Agora, pode seguir ultrapassar os 100 minutos. E como se tivesse uma miniprorrogação todo dia.

E os times são cada vez mais atléticos, na definição mais simples da palavra. A Bósnia tem média de altura de 1, 87 metro. Isso mesmo, média.

E ainda tem outro fator para pesar, diante de tudo isso: a idade. Seleções favoritas como França e Espanha têm médias de idade inferiores aos 27 anos. É a meninada jogando.

O Brasil, por sua vez, chegou com uma equipe “experiente”, com média de Brasil - 28,7 anos, a sexta maior da competição.

A aí, o cara pergunta: quer dizer que futebol de Copa virou atletismo? A resposta é: quase isso.
Quem assiste a jogos das ligas da Inglaterra, Espanha e Alemanha, três das maiores da Europa, já sacou isso.

A bola não para de jeito nenhum. O time vai até a última bola e até ultima gota de suor.
No jogo contra Marrocos, na estreia, Raphinha 11, 6 quilômetros. Gabriel Magalhães, que é zagueiro, atingiu a marca de 10,1 km. A título de comparação, a Corrida de São Silvestre tem 15 quilômetros. Pense!

Diante do exposto, vale lembrar sempre. O futebol mudou muito.

Na década de 60, Garrincha, um gênio da bola, parava na frente do adversário e driblava até deixar o cara com escoliose.

Gérson, o Canhotinha de Ouro, fumava no vestiário e entrava em campo com uma capacidade ímpar para analisar a colocação da zaga contrária e fazer lançamentos de 60 metros, no pé ou na cabeça do seu atacante.

É só pegar os vídeos da Copa de 70 para conferir.

Já se discutiu muito, até em divã freudiano, se os craques do passado seriam craques agora. A técnica seria a mesma, mas faltaria o físico. O desempenho atlético.

A Copa está andando e uma pergunta ainda precisa ser feita: Ancelotti e a CBF levaram Neymar Jr para o Mundial, mesmo machucado, prometendo que ele faria a diferença em fases finais.

No futebol atlético de hoje, em que cada metro quadrado de grama vale um prato de comida, parece que o nosso camisa 10 terá dificuldades.

E esperar para saber se a aposta valeu.

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