Copa do Mundo
OPINIÃO

Coluna Além da Bola: A Copa centenária vem aí

Mal começou a segunda rodada da Copa do Mundo de 2026 e já estou contando os dias para a de 2030

Marcos Toledo

Publicado: 24/06/2026 às 11:40

Uruguai, primeiro campeão /Divulgaçã/Fifa

Uruguai, primeiro campeão (Divulgaçã/Fifa )

Mal começou a segunda rodada da Copa do Mundo de 2026 e já estou contando os dias para a de 2030. Claro, a Copa do Centenário. Na época do primeiro Mundial, o rádio engatinhava e não havia transmissão ao vivo. Mas nós, os jornais impressos, estávamos lá. O Diario de Pernambuco, este já contava seus 105 anos.

"Inicia-se hoje, em Montevidéo, o campeonato mundial de "foot-ball", deu o Diario na capa de sua edição de 13 de julho de 1930. No espaço dedicado ao Mundial, na página 2, uma das notas diz que "o half [half-back, ou meio-campista] brasileiro Fortes já está completamente restabelecido". Mas logo depois revela que "o delegado [técnico] brasileiro Píndaro Carvalho deverá organizar o quadro que enfrentará os yugoslavos, no jogo de segunda-feira. A organização está dependendo de Fortes, que não se sabe ainda se poderá jogar ou não". Velhos tempos, mesmos problemas.

Naquela época, as informações dos jogos chegavam aos outros países apenas no dia seguinte, por meio dos jornais. O público brasileiro dependia de boletins telegráficos ou de alto-falantes instalados nas ruas. A Copa de 1930 contou com apenas com 13 seleções convidadas e os resultados chegaram à Europa com dias de atraso, dependendo da rota dos navios e telégrafos.

 

 

O primeiro artilheiro de todas as Copas foi um argentino, Stabile, que fez oito gols. Mas o campeão foi o Uruguai, que venceu em casa a Argentina por 4x2, após perder o primeiro tempo por 2x1. Stabile só marcou um golzinho. Dia 30 de julho de 1930, para um público de 100 mil espectadores. Sem internet, nem tevê e sequer rádio ao vivo. Mas nós, os jornais, estávamos lá.

A Copa de 2030 será realizada em seis países de três continentes. O torneio principal será sediado por Espanha, Portugal e Marrocos, mas os três primeiros jogos ocorrerão no Uruguai, na Argentina e no Paraguai para celebrar o centenário.

Em 2026, Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão fizeram sua estreia na competição. Agora imagine seleções como Suriname e Nova Caledônia, que chegaram perto, mas foram eliminadas na repescagem intercontinental, estreando em 2030. Pense a Espanha tomando um calor do Suriname. Ou Portugal sofrendo para ganhar de Nova Caledônia.

Se compararmos a condição de Messi com outros jogadores mais novos, como por exemplo Neymar, ele poderá muito bem jogar mais uma Copa e honrar ainda mais o centenário da artilharia de Stabile.
Quem sabe o hexa, ou o hepta, não vem para o Brasil?

Fico só imaginando como será a Copa centenária. E torcendo para que, mais uma vez, estejamos lá.

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