Reeleição de Lula derruba ativos brasileiros no exterior
A reação reflete a frustração do mercado com um resultado considerado menos "amigável" aos investidores
Publicado: 26/10/2026 às 12:56
Painel eletrônico exibindo o índice da bolsa de valores da Coreia do Sul na Bolsa de Valores da Coreia, em Seul (JUNG YEON-JE/AFP)
Ativos brasileiros tombaram nos mercados futuros na madrugada desta segunda-feira (26) após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conquistar a reeleição.
O choque foi sentido primeiro fora do Brasil: o contrato futuro mais próximo do real na Bolsa de Chicago recuava perto de 10% contra o dólar, enquanto instrumentos que acompanham ações brasileiras no Japão e em outros países da Ásia caíam até 14%.
Nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) chegou a cair perto de 20% na abertura em negociações na Robinhood, segundo a Investors.com. A Petrobras recuava 16% e o MercadoLibre, que é Argentino mas tem a maior operação no Brasil, caía 7%.
A reação reflete a frustração do mercado com um resultado considerado menos "amigável" aos investidores. A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) era vista como o cenário mais pró-mercado, por promessas de consolidação fiscal, privatizações e reformas pró-negócios, além da expectativa de maior alinhamento com os Estados Unidos, segundo análise da Janus Henderson Investors divulgada no início do mês.
Analistas do Goldman Sachs observaram que as ações brasileiras dispararam depois do primeiro turno, no dia 4, quando Flávio abriu vantagem, mas depois devolveram parte dos ganhos com o acirramento da disputa. O EWZ subiu 12,5% no dia 5, e ações de companhias brasileiras deram saltos de até 39%.
Para o Goldman Sachs, após o "solavanco" esperado nos preços nesta segunda-feira (26), o rumo dos ativos brasileiros deve depender de declarações e decisões iniciais de Lula. Um ponto-chave será a formação do ministério, especialmente da equipe econômica.
O Goldman Sachs avalia que grandes reformas estruturais parecem improváveis em um quarto mandato de Lula, com tendência a medidas mais modestas para conter os gastos primários e com o aumento de uma carga tributária já elevada.
No mercado cambial, o movimento tende a ser intenso desde a abertura. Sean Callow, analista sênior de FX da ITC, afirmou que o dólar pode abrir com um salto de 5% frente ao real, semelhante ao tombo de 5% observado após o primeiro turno.
No mercado de juros, a expectativa é de volatilidade. Andrea Kiguel, chefe de Estratégia de Juros para as Américas do Barclays, disse esperar movimentos "desordenados", com venda forte nos títulos de curto prazo.
Jason Keene, estrategista de Crédito Soberano Emergente do Barclays, afirmou que o crédito soberano também deve abrir diferenciais mais altos, possivelmente em pelo menos 30 pontos-base, levando o spread de títulos de 10 anos do Brasil acima de 200 pontos-base e implicando queda de preço de ao menos dois pontos.
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