Mistura maior de etanol à gasolina deve ampliar em 6% demanda pelo biocombustível no Brasil
CNPE eleva para 32% o teor obrigatório de etanol anidro e, segundo o Sindaçúcar, traz mais previsibilidade para o setor sucroenergético estadual
Publicado: 14/07/2026 às 20:20
O setor sucroenergético no Brasil deverá registrar um incremento estimado de 6% na demanda por etanol anidro em 2026, em virtude da decisão do governo federal de aumentar de 30% para 32% do teor obrigatório de etanol misturado à gasolina. A estimativa é do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha. Às vésperas do início da safra no estado, prevista para começar entre agosto e setembro, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a medida, que passa a valer em 1º de agosto.
Para Cunha, Pernambuco deverá sentir o impacto positivo da medida na produção de cana-de-açúcar, beneficiando toda a cadeia produtiva. “O setor vai vender 6% a mais. Não de preço, mas de volume”, reforça ele, ao destacar que o estado é responsável por cerca de 3% de todo o etanol produzido no Brasil. “Isso acontecer no início da safra traz maior segurança ao produtor, afinal há previsibilidade de vendas”, explica.
Renato Cunha destaca que o aumento já era esperado, uma vez que a elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina C tem sido gradual ao longo dos anos. “Começou com 20%, depois 22%, 25%, 27% e, o mais recente, 30%”, relembra. “Se aumenta o percentual de etanol, o mercado fica menos vulnerável às oscilações dos preços estrangeiros”, afirma, ao mencionar a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio.
Com validade inicial de 180 dias e possibilidade de prorrogação, o aumento é resultado de estudos técnicos iniciados a partir da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que busca ampliar o uso de biocombustíveis nacionais e reduzir a emissão de gases de efeito estufa no setor energético. Embora o aumento pareça pequeno, o Ministério de Minas e Energia prevê que, se mantido, o E32 permitirá ao Brasil deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano. “Isso vai vigorar”, projeta o presidente do Sindaçúcar.
Setor aposta em avanço do uso dos biocombustíveis
A perspectiva de aumento da mistura de etanol anidro à gasolina pode chegar a 35%, mas essa não é a única frente prevista na Lei do Combustível do Futuro. Também estão em andamento testes para ampliar a participação do biodiesel na mistura obrigatória ao diesel, cujo percentual poderá alcançar até 25%. “No futuro, a gente pode ter um combustível mais preponderante do bio que dos fósseis”, acredita Cunha, ao citar ainda os avanços na adoção do combustível sustentável de aviação (SAF), misturado ao querosene de aviação (QAV).
Na corrida pelo desenvolvimento de novos biocombustíveis e pelo melhoramento da matéria-prima, Pernambuco reúne instituições de pesquisa que atuam desde a produção até o aprimoramento genético da cana-de-açúcar. Entre elas estão o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Recife, e a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar de Carpina (EECAC), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), na Zona da Mata Norte.