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Com prazo apertado, governo já considera tarifaço dos EUA como cenário mais provável

Segundo fontes próximas, Lula já reconheceu que os sinais emitidos pela Casa Branca indicam uma retaliação comercial, mas determinou que as negociações sejam mantidas até o último momento. Decisão dos EUA deve ser anunciada até quarta-feira (15)

Fernanda Strickland - Correio Braziliense

Publicado: 13/07/2026 às 14:32

A orientação do presidente Lula é esgotar todas as possibilidades de diálogo antes da decisão final do governo Trump/Ricardo Stuckert/PR

A orientação do presidente Lula é esgotar todas as possibilidades de diálogo antes da decisão final do governo Trump (Ricardo Stuckert/PR)

A poucos dias do fim do prazo estabelecido pelo governo dos Estados Unidos, o Palácio do Planalto trabalha com a avaliação de que a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros tornou-se o cenário mais provável. A decisão da administração do presidente Donald Trump deve ser anunciada até a próxima quarta-feira (15), encerrando meses de negociações entre Brasília e Washington.

 

Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros no Palácio do Planalto para discutir os desdobramentos das tratativas. Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O Correio confirmou com interlocutores do governo que Lula reconheceu que os sinais emitidos pela administração norte-americana indicam uma elevada possibilidade de retaliação comercial, mas determinou que as negociações sejam mantidas até o último momento. A orientação do presidente é esgotar todas as possibilidades de diálogo antes da decisão final dos Estados Unidos.

O governo brasileiro considera as tarifas "injustas e injustificáveis" e afirma que não pretende fazer concessões em temas considerados sensíveis, como eventuais mudanças relacionadas ao sistema de pagamentos Pix.

Apesar do pessimismo, interlocutores ligados ao governo confirmaram que o Planalto está trabalhando para viabilizar uma última reunião com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do prazo final. O encontro, no entanto, ainda não foi confirmado. Desde a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, em maio, representantes brasileiros já se encontraram quatro vezes com Greer para discutir o tema.

A percepção de que o tarifaço está cada vez mais próximo ganhou força após declarações públicas do chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em entrevista na última quinta-feira (9), Greer afirmou que as negociações seguem distantes de um entendimento.

"Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho", disse.

Após o anúncio norte-americano, o Planalto deverá analisar possíveis exceções, a continuidade das negociações e eventuais medidas de reação, incluindo o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica. No entanto, fontes do governo afirmam que qualquer resposta dependerá da dimensão das sanções e da lista final de produtos afetados.

Para o cientista político Márcio Coimbra, a resistência de Washington vai além de uma disputa comercial pontual e reflete um desgaste mais profundo na relação bilateral. Segundo ele, o impasse decorre de divergências institucionais e geopolíticas acumuladas nos últimos anos, envolvendo temas como proteção da propriedade intelectual, segurança jurídica no comércio digital, combate à corrupção e a inserção internacional do Brasil.

Na avaliação de Coimbra, a dificuldade de avanço nas negociações evidencia uma perda de influência brasileira junto aos Estados Unidos, aumentando a vulnerabilidade de setores exportadores diante das decisões de política comercial da maior economia do mundo. Segundo o analista, o cenário atual representa um custo econômico e estratégico para o país, em um momento em que o setor produtivo aguarda com apreensão a definição de Washington.

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