Representante comercial dos EUA diz que decisão final sobre tarifas sairá em breve
Segundo Greer, ainda há uma "distância considerável" entre as posições dos dois países. Prazo de negociação termina em 15 de julho
Fernanda Strickland - Correio Braziliense
Publicado: 09/07/2026 às 16:39
O representante do Departamento de Comércio norte-americano, Jamieson Greer (à esq.), ao lado do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent (Fabrice Coffrini/AFP)
A definição do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de novas tarifas às importações brasileiras deve ser anunciada muito em breve. A sinalização foi feita nesta quinta-feira (9) pelo representante do Departamento de Comércio norte-americano, Jamieson Greer. Ele afirmou, porém, que Brasil e Estados Unidos ainda estão longe de um entendimento e que a decisão precisa ser tomada até 15 de julho, prazo previsto na legislação norte-americana.
Em entrevista à Fox Business Network, Greer disse que as negociações seguem em andamento, mas reconheceu que persiste uma "distância considerável" entre as posições dos dois países. Segundo ele, esse cenário deve levar o governo norte-americano a divulgar em breve uma decisão final sobre o caso.
A discussão ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, em 1º de junho, a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base em uma investigação que abrange temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% para 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
Apesar das medidas propostas, o governo dos Estados Unidos divulgou listas de exceções para diversos produtos, com o objetivo de reduzir impactos sobre os preços no mercado interno.
Enquanto as negociações prosseguem, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu, na última segunda-feira (6), a fase de audiências públicas da investigação. As sessões contam com participação de representantes de entidades brasileiras e americanas ligadas a setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Durante as audiências, o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, afirmou que a adoção de novas tarifas traria prejuízos para os dois países. Segundo ele, a medida afetaria o setor produtivo e os consumidores norte-americanos, além de comprometer a competitividade das exportações brasileiras em um mercado considerado estratégico.
Neto também destacou que a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro recuou para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor patamar já registrado para o período. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também caíram 11% na comparação com o mesmo intervalo.