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Unidade do Porto Digital em Portugal amplia participação de empresas de Pernambuco na Europa

Cais do Porto funciona como um hub de conexão para empresas vinculadas ao ecossistema de inovação sediado no Recife

Thatiany Lucena

Publicado: 23/06/2026 às 06:00

Cais do Porto durante o evento Brazil Tech Days 2024 /Foto: Divulgação/Porto Digital

Cais do Porto durante o evento Brazil Tech Days 2024 (Foto: Divulgação/Porto Digital )

Criado para servir de porta de entrada para empresas brasileiras de tecnologia interessadas em expandir operações no mercado europeu, o Cais do Porto, unidade internacional do Porto Digital instalada na cidade de Aveiro, em Portugal, vem ampliando sua atuação desde que iniciou as atividades, em 2024. Nesse período, mais de 45 empresas brasileiras — a maioria delas pernambucanas — já passaram pelo espaço em busca de apoio para processos de internacionalização e prospecção de novos mercados.

Braço internacional do Porto Digital, o Cais do Porto funciona como um hub de conexão para empresas vinculadas ao ecossistema de inovação sediado no Recife. A estrutura oferece suporte para adaptação ao ambiente de negócios europeu, além de facilitar contatos com potenciais clientes, parceiros e investidores.

Responsável pela operação da unidade portuguesa, Marcela Valença explica que o projeto surgiu inicialmente para atender demandas das empresas instaladas no Porto Digital, mas acabou ampliando seu alcance para negócios de outras regiões do país.

“O espaço começou a partir de uma necessidade das empresas que compõem o Porto Digital no Recife, mas se expandiu para receber também empresas de outras partes do Brasil e de parques tecnológicos parceiros. Nossa missão é apoiar o processo de internacionalização, garantindo que essas empresas tenham uma chegada mais estruturada e segura ao mercado europeu”, afirma.

Segundo ela, o trabalho desenvolvido em Aveiro permite que os empreendedores compreendam melhor as exigências regulatórias, comerciais e culturais para operar em Portugal e em outros países da Europa. Atualmente, a internacionalização das empresas ocorre por diferentes caminhos. Um deles é por meio do Sebraetec, programa do Sebrae Pernambuco que viabiliza missões empresariais voltadas à validação de produtos e serviços no mercado português, etapa considerada estratégica para a entrada em outros países do continente.

A iniciativa também conta com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti). Em parceria com o Porto Digital, o Governo do Estado mantém o Programa de Internacionalização de Empresas Inovadoras, que seleciona e prepara, anualmente, dez empresas pernambucanas para atuar em mercados internacionais.

Para a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Mauricélia Montenegro, o fortalecimento da presença internacional das empresas locais faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão do ecossistema de inovação pernambucano. Segundo ela, o Estado tem ampliado os investimentos no setor e buscado descentralizar as oportunidades para além da Região Metropolitana do Recife.

“Através do terceiro termo aditivo do contrato de gestão com o Porto Digital, o Estado ampliou os investimentos no setor, alcançando o montante total de R$ 73 milhões. Um dos eixos prioritários é a interiorização do desenvolvimento, com a expansão da rede de inovação para outras regiões do estado”, destaca.

De acordo com a secretária, os investimentos realizados nos últimos anos, aliados à criação do Cais do Porto em Aveiro, contribuem para o crescimento do ecossistema de inovação pernambucano. Atualmente, o Porto Digital reúne 541 empresas, responsáveis por um faturamento anual de R$ 7,4 bilhões e pela geração de mais de 24 mil empregos. O número representa um crescimento de 19% em relação ao período anterior.

Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (NERD)

Outra iniciativa que pretende ampliar a expansão das empresas é o Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (NERD), inaugurado no dia 15 de junho no Bairro do Recife. A estrutura recebeu o aporte de R$ 18,5 milhões, sendo R$ 13,8 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e de R$ 4,7 milhões do governo do estado.

De acordo com Mauricélia, o Núcleo tem como missão fortalecer a ligação entre o Porto Digital (Recife) e o Cais do Porto (Aveiro) por meio da capacitação. “A iniciativa já integra cerca de 120 empresas em diferentes estágios de maturidade, desde a pré-incubação até a internacionalização. Na prática, o núcleo conecta diretamente os empreendedores pernambucanos a redes de negócios, centros de pesquisa e investidores na Europa”, destaca a secretária.

 

 

Empresas planejam ampliar negócios no país

O intercâmbio entre as unidades do Recife e Portugal também está nos planos do CPO (Diretor de Produtos) e fundador da Capyba Software, Eduardo da Fonte, que deve se mudar com a família para o país em 2027 para trabalhar no hub do Porto Digital em Aveiro.

Hoje, com 32 funcionários, a Capyba foi criada em 2015, com sede no bairro do Recife, e atua no desenvolvimento de serviços como design de produtos digitais como softwares e aplicativos. Eduardo conta que, desde o início, a empresa já exportou serviços para países como: Inglaterra, Itália, Angola, Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Portugal.

Ele conta que a ideia de internacionalizar a empresa surgiu em 2023, durante o WebSummit, evento realizado no país. “A ideia do Cais do Porto (que ainda se chamava Porto Digital Europa) ainda estava no início, mas nós já estávamos por lá, conversando com os responsáveis e dispostos a fazer isso acontecer em conjunto. E em 2024 a empresa foi de fato constituída em Portugal”, conta.

Desde a internacionalização da empresa, Eduardo revela que a Capyba já cresceu cerca de 20% no faturamento. O resultado é também resultado da conexão em Portugal.

Outra empresa que atua no Cais do Porto é a Mesa, empresa recifense criada em 2013 que atua na consultoria e no desenvolvimento de produtos digitais como aplicativos para grandes empresas e startups. Com escritórios localizados também no Rio de Janeiro e em São Paulo, a instalação da empresa no Cais do Porto aconteceu em 2023.

Segundo o fundador da empresa, Artur Sá, a internacionalização sempre foi um projeto da empresa, mas o foco inicial era alcançar o mercado dos Estados Unidos. Porém, com a pandemia (Covid-19), esses planos foram afetados.

Artur conta que a expansão dos negócios para a Europa hoje é o foco principal da empresa. “Iniciamos nossas atividades de expansão por Portugal, até pela relação com o Cais do Porto, pelas facilidades de idioma e também pelas relações já construídas no país. Mas a ideia é depois buscarmos mercados na Espanha, Alemanha, França, entre outros países”, destaca.

Com cerca de 80 funcionários espalhados pelo país, Artur revela que a Mesa ainda não chegou a exportar nenhum profissional para trabalhar de forma fixa no Cais do Porto, mas que está nos planos criar um primeiro grupo para atuar no local.

 

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