Entre altas e baixas: saiba o que pesou no bolso e o que está barato no Ceasa-PE após chuvas
Chuvas nas regiões produtoras elevam preços de itens básicos como tomate e coentro, mas calendário de comercialização indica abundância de frutas e tubérculos para o mês
Publicado: 13/05/2026 às 18:34
No Recife, entre fevereiro e março deste ano, a alta da cesta básica foi puxada pelo tomate (46,31%) (Foto: Sandy James/DP Foto)
Diversos produtos agrícolas derivados de hortas, pomares e granjas apresentaram forte elevação nos preços entre janeiro e maio de 2026. É o que aponta levantamento do Departamento Técnico do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa-PE), divulgado nesta quarta-feira (13).
Entre os produtos que mais aumentaram estão o tomate (285,71%), a cebolinha (233,33%) e a batatinha (206,67%). Os aumentos foram impulsionados principalmente pelo período de entressafra e pelas fortes chuvas registradas em importantes regiões produtoras do Nordeste e Sudeste.
Conforme o levantamento, o valor atual do tomate “está muito acima” da média histórica do período, que é de R$ 3,14 o quilo, sendo comercializado no Centro com preço médio de R$ 9,64/kg. Além disso, segundo o departamento, o produto, que possui forte produção no município de Camocim de São Félix, no Agreste pernambucano, vem sofrendo redução na oferta devido ao excesso de chuvas nas áreas produtoras, comprometendo a qualidade e o volume colhido.
A cebolinha apresentou uma das maiores variações junto ao tomate. A planta apresentou alta de 233,33%, atingindo R$ 10,00, o quilo. Já o coentro, bastante cultivado no estado, registrou aumento de 200%, saindo de R$ 3,75/kg para R$ 11,25/kg.
A cenoura apresentou alta de 100% no período analisado, passando de R$ 3,75/kg para R$ 7,50/kg. De acordo com o Departamento Técnico, a redução da oferta na Bahia e em Minas Gerais, associada às dificuldades logísticas causadas pelas chuvas, contribuiu diretamente para o encarecimento da hortaliça.
A alface também sofreu impacto da entressafra e das condições climáticas adversas, acumulando aumento de 166,67%, sendo comercializada atualmente a R$ 15,27/kg. Outros produtos que apresentaram elevação significativa foram a batatinha, com aumento de 206,67%; o repolho, com alta de 150%; o pepino, com 125,56%; a vagem, com 114,29%; e o pimentão, com aumento de 80%.
Segundo análise do Departamento Técnico do Ceasa-PE, o período chuvoso intenso nas principais regiões produtoras afetou tanto a colheita quanto o transporte das mercadorias, reduzindo a oferta disponível no mercado atacadista e pressionando os preços para comerciantes e consumidores.
“A expectativa é que, com a normalização climática e a retomada gradual das safras nos próximos meses, haja recomposição da oferta e consequente redução nos preços de parte desses produtos”, informam em nota.
Ofertas
Alguns produtos estão em um momento mais favorável neste mês de maio. Para o Ceasa-PE, as ofertas tendem a ampliar a disponibilidade no Centro e abrir espaço para condições mais atrativas de comercialização.
Entre as frutas que se destacam em maio com melhor momento de oferta estão: abacate, acerola, banana comprida, banana maçã, cajá, cajá-umbu, coco verde, goiaba, laranja mimo, laranja pera, limão taiti, maçã importada, maçã nacional, mamão formosa, mamão havaí, mangaba, maracujá, pera importada, pinha, pitomba, tamarindo, tangerina e uva itália.
No grupo dos tubérculos, raízes e bulbos, o mês favorece produtos como alho importado, cará São Tomé, inhame da costa e macaxeira, que aparecem entre os itens em melhor condição de oferta no período.
Já entre as hortaliças e frutos, os destaques do mês são abóbora, chuchu, feijão verde, melão espanhol e quiabo. No grupo das folhas e hastes, os produtos em melhor momento de oferta neste mês são acelga e couve-flor.
Embora tenha acumulado alta de 80% desde janeiro, o pimentão já figura na lista de produtos com tendência de melhora na oferta para o mês de maio.
Dicas
De acordo com o Ceasa-PE, acompanhar o calendário de comercialização é uma forma importante de orientar compras, montar cardápios, organizar estoques e aproveitar melhor o que cada mês oferece.
No calendário técnico do Ceasa Pernambuco, os quadros em vermelho indicam boa oferta, que normalmente é associada a preços mais reduzidos. Já os campos em amarelo apontam oferta regular, enquanto os verdes sinalizam ausência ou escassez de oferta, com tendência de preços mais altos.
Neste mês, o calendário também antecipa o aquecimento de produtos que costumam ganhar ainda mais protagonismo nas próximas semanas, especialmente com a aproximação do período junino, como é o caso do milho verde, que já começa a ganhar espaço no mercado atacadista do Ceasa Pernambuco.