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IBGE: renda per capita do Brasil bate recorde em 2025, mas desigualdade cresce

Houve melhora em todas as faixas de renda, porém a desigualdade teve ligeira alta em 2025, após ter descido ao piso histórico em 2024

Estadão Conteúdo

Publicado: 08/05/2026 às 10:48

Dinheiro, Real Moeda brasileira/José Cruz/Agência Brasil

Dinheiro, Real Moeda brasileira (José Cruz/Agência Brasil)

O rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil subiu a um recorde de R$ 2.264 em 2025, alta de 6,9% em relação a 2024. Houve melhora em todas as faixas de renda, porém a desigualdade teve ligeira alta em 2025, após ter descido ao piso histórico em 2024. Em meio ao mercado de trabalho aquecido e aos juros elevados remunerando mais aplicações financeiras, os brasileiros mais ricos tiveram ganho maior do que os demais estratos da população.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) - Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A população de maior renda teve crescimento acima da média populacional, apesar de a renda ter crescido para todos os estratos. Não houve piora da renda. O topo da pirâmide teve um crescimento acima da média populacional", explicou Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.

A renda média real domiciliar per capita dos 10% mais pobres do País subiu 3,1% em 2025 ante 2024, já descontada a inflação do período. Apesar da melhora, o resultado significa que essas pessoas sobreviveram com apenas R$ 268 mensais, o equivalente a R$ 8,93 por dia no ano passado.

Ao mesmo tempo, a variação no rendimento médio per capita ocorreu com maior intensidade no limite superior da distribuição: os 10% mais ricos tiveram um ganho de 8,7%, para R$ 9.117 mensais por pessoa da família. Se considerados apenas os integrantes da fatia 1% mais rica da população brasileira, a renda per capita foi de R$ 24.973 em 2025, 9,9% maior que a de 2024.

Fontes lembra que a parcela mais pobre da população é alvo prioritário de benefícios sociais, que não tiveram reajuste relevante no ano passado. Por outro lado, podem explicar o ganho maior de renda entre os mais ricos o avanço na remuneração de trabalhadores mais qualificados em um mercado de trabalho aquecido, os juros altos proporcionando mais retorno a aplicações financeiras e o rendimento proveniente de aluguéis também em trajetória ascendente.

"Teve a questão do mercado de trabalho, pode ter rendimento de outras fontes, como as aplicações financeiras e o rendimento de aluguel, que teve aumento importante em relação a 2024. Parte dessa alta renda tem rendimento de aluguel, investe em imóveis", disse Fontes. "Esse período de juros mais elevados e maior rentabilidade de algumas aplicações pode sim contribuir para a renda desses domicílios de rendimento alto. Essa parte da população pode ter sido beneficiada por essas aplicações."

O pesquisador pondera que, considerando um período mais longo, o quadro se inverte. Em relação ao pré-pandemia, também houve aumento do rendimento domiciliar per capita em todas as faixas de distribuição, mas o crescimento foi mais significativo entre os mais pobres. O aumento do rendimento médio alcançou 78,7% entre os 10% mais vulneráveis em 2025 ante 2019, enquanto os 10% mais ricos tiveram um ganho de 11,9%. Na média da população, a renda cresceu 18,9%.

"Em relação a 2019, as classes mais baixas cresceram bem mais a renda, e a de maior renda foi a que menos cresceu. A situação muda de acordo com o período de referência que a gente está olhando. Se a gente olhar o mercado de trabalho, a gente vê que essas classes mais baixas tiveram ganho de renda importante. Teve também reajuste do salário mínimo e os programas sociais do governo", explicou.

Desigualdade tem ligeira alta

O índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita de todas as fontes - indicador que mede a desigualdade de renda, numa escala de 0 a 1, em que, quanto mais perto de 1 o resultado maior é a concentração de riqueza - subiu de uma mínima histórica de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, mas permanece ainda significativamente abaixo do registrado em 2019, de 0,543.

"A gente não nota uma tendência clara de elevação. Em 2025, teve essa leve oscilação para cima, mas, mais uma vez, se mantendo abaixo dos níveis anteriores a 2024, se mantendo próximo da mínima histórica", avaliou Fontes.

A renda permanece bastante concentrada no Brasil. Os 10% da população com os maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos em 2025. Os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, o que significa um bolo maior do que a parcela de 32,8% auferida pelos 70% mais pobres juntos.

A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu um ápice de R$ 481,389 bilhões em 2025, crescimento de 7 3% em relação a 2024.

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