Inadimplência em Pernambuco atinge mais da metade da população em março, diz Serasa
Em comparação com o Nordeste, Pernambuco foi o terceiro com maior número de inadimplentes
Publicado: 05/05/2026 às 19:03
Os pernambucanos somaram o total de 10.840.881 de dívidas em agosto deste ano, segundo levantamento da Serasa. Essa quantidade chega ao montante de R$ 18.546.581.858,00. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
Mais da metade da população adulta de Pernambuco estava inadimplente em março de 2026. É o que afirma o Mapa da Inadimplência do Brasil, realizado pela Serasa — empresa voltada à avaliação de crédito. Segundo os dados, havia 3.679.641 inadimplentes no estado, o que representa 50,8% da população adulta.
O perfil da inadimplência no estado é majoritariamente feminino: 53,5% são mulheres. No recorte por idade, a faixa entre 41 e 60 anos lidera o ranking (35,7%), seguida pelos adultos de 26 a 40 anos (33,4%). Os idosos (acima de 60 anos) representam 19,3%, enquanto os jovens de 18 a 25 anos somam 11,6%.
Em comparação com o Nordeste, Pernambuco foi o terceiro com maior número de inadimplentes, ficando atrás do Ceará (53,27%) e do Rio Grande do Norte (51,33%). A nível nacional, o estado ocupa a 13ª posição e registra uma média de devedores superior à média do país, que fechou o mês em 50,51% (82,8 milhões de brasileiros).
Bancos
De acordo com um novo levantamento da Serasa, parceria com o instituto Opinion Box, divulgado nesta terça-feira (5), 47% das dívidas dos brasileiros estão concentradas no setor financeiro, que somam R$ 557,7 bilhões.
Segundo os dados, os bancos seguem como o principal segmento das dívidas, representando 27% de todos os débitos no país. A pesquisa revela que cerca de 49% dos brasileiros endividados com bancos concentram múltiplas dívidas em uma mesma instituição.
Além disso, o cartão de crédito lidera como principal fonte de endividamento (73%), seguido por empréstimos (56%) e pelo uso do limite da conta ou cheque especial (33%). Entre os endividados no cartão, 37% acumulam dívidas superiores a R$ 10 mil e 36% convivem com essas pendências há mais de dois anos.
"Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, especialmente em valores elevados, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar por que uma parcela relevante da população permanece com dívidas por tanto tempo", explica Aline Maciel, diretora da Serasa.
Sobrevivência financeira
Segundo os dados, 38% dos brasileiros atribuem o endividamento com bancos ao desemprego ou à perda de renda. Da mesma forma, ao investigar os gastos que levaram às dívidas bancárias, o levantamento aponta uma relação direta com a sobrevivência financeira: o pagamento de contas básicas e a quitação de outras dívidas aparecem como os principais motivos.
"A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia”, afirma Aline. “Quando despesas essenciais, como alimentação e saúde, passam a ser financiadas no crédito, o risco de efeito bola de neve aumenta significativamente”.