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OPEP aponta queda de 27,5% na produção de petróleo e perda chega a mais de 15 bilhões de dólares

Guerra e bloqueio naval disparam alerta para o setor de energia

Isabel Alvarez

Publicado: 13/04/2026 às 20:10

Vista de uma plataforma de petróleo em Novo México, nos Estados Unidos, no dia 21 de março de 2012. Foto: © AFP/Arquivos/anewby/Vista de uma plataforma de petróleo em Novo México, nos Estados Unidos, no dia 21 de março de 2012. Foto: © AFP/Arquivos

Vista de uma plataforma de petróleo em Novo México, nos Estados Unidos, no dia 21 de março de 2012. Foto: © AFP/Arquivos/anewby (Vista de uma plataforma de petróleo em Novo México, nos Estados Unidos, no dia 21 de março de 2012. Foto: © AFP/Arquivos)

A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em março caiu quase 8 milhões de barris diários e 27,5% em relação à fevereiro devido ao impacto da guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

Já um estudo publicado pelo jornal britânico Financial Times também revelou que os produtores de petróleo perderam mais de 15 bilhões de dólares em receitas energéticas desde o início do conflito. É estimado que passem diariamente pelo Estreito de Ormuz cerca de 1,2 bilhões de dólares em petróleo, produtos refinados e gás natural liquefeito, de acordo com os preços e volumes médios do ano passado.

No relatório da OPEP divulgado hoje (13), a organização afirma que os dados, juntamente calculados por vários institutos independentes, aponta que o país mais afetado foi o Iraque seguido pelos demais países do Golfo Pérsico. Os ataques iranianos às instalações da indústria petrolífera de várias nações da região causaram quedas drásticas na produção do Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein e, em bem menor escala no Irã. Enquanto a Venezuela, o Cazaquistão e a Nigéria são os únicos do conjunto total do grupo que aumentaram ligeiramente a produção.

O conjunto da OPEP+ (OPEP e aliados, incluindo a Rússia) viu a produção cair de 42,75 milhões para 35 milhões de barris diários, a segunda maior redução na história do grupo, desde a de 10 milhões de barris diários aplicada voluntariamente em 2020 para conter o colapso dos 'petropreços' provocado pela pandemia da Covid-19. "As taxas de processamento das refinarias mundiais caíram drasticamente em março, registrando a maior queda mensal desde abril de 2020", indica a OPEP.

O valor mensal do barril ficou situado na média em aproximadamente 116 dólares, mais 48 dólares do que a média de fevereiro, segundo a OPEP.

No entanto, o relatório não inclui dados de abril nem as implicações da frágil trégua e do bloqueio de Ormuz por parte dos Estados Unidos para impedir também a saída de navios dos portos iranianos após o recente fracasso de uma tentativa de fechar um acordo de paz, no Paquistão.

O documento aponta que a situação afeta especialmente produtos derivados do petróleo. Porém, apesar destas turbulências, que dispararam os preços do petróleo e produtos derivados, a OPEP mantém as previsões feitas há um mês para o crescimento da economia mundial, de 3,1% em 2026 e de 3,2% em 2027, e sobre o aumento da procura, estimado em 1,4 milhões de barris diários e 1,3 milhões de barris diários, respectivamente.

Mas, o cartel petrolífero admite que espera uma intensificação da situação por causa do habitual aumento da procura de combustível para transporte terrestre e aéreo durante a temporada de férias de verão no hemisfério norte, o que poderia resultar num maior encarecimento da gasolina, do diesel e do querosene para aviões.

Por outro lado, o comissário europeu para a Energia e Ambiente, Dan Jørgensen, declarou que a União Europeia já gastou mais de 22 bilhões de euros em importações de combustíveis fósseis devido à guerra. Jørgensen prometeu apresentar medidas para a crise no setor na próxima semana. “Este é o momento de proteger quem precisa, de mudar o rumo das coisas e garantir que a UE se torne verdadeiramente independente em termos energéticos. A única maneira da UE deixar de ter crises energéticas é garantir uma transição para fontes limpas produzidas localmente e eletrificar a sua economia”, afirmou o comissário.

O diretor da Agência Internacional de Energia, Rafael Grossi, também alertou que o mês de abril deverá ser ainda pior do que março para o setor da energia.

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