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Economia
LEVANTAMENTO

IBGE estima produção agrícola de 344,1 milhões de toneladas em 2026

Soja, milho e arroz seguem como os principais produtos da produção agrícola brasileira

Diario de Pernambuco

Publicado: 13/03/2026 às 11:23

De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladas/Foto: Agência Brasil/Arquivo

De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladas (Foto: Agência Brasil/Arquivo)

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 deve alcançar 344,1 milhões de toneladas, de acordo com a estimativa divulgada em fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume projetado representa uma redução de 0,6% em relação à colheita de 2025, quando foram registradas 346,1 milhões de toneladas, resultando em uma diferença de cerca de dois milhões de toneladas.

Mesmo com a queda na comparação anual, o levantamento mais recente aponta revisão positiva frente ao mês anterior. A estimativa de fevereiro é 0,4% superior à divulgada em janeiro, o que corresponde a um acréscimo de 1,4 milhão de toneladas. As informações fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), estudo mensal produzido pelo IBGE.

A área destinada à colheita também apresenta expansão. A previsão é de que 82,9 milhões de hectares sejam colhidos em 2026, avanço de 1,6% na comparação com o ano passado. O crescimento equivale a 1,3 milhão de hectares. Em relação à projeção feita em janeiro, houve aumento de 0,3%, o que representa mais 213.075 hectares.

Entre os produtos analisados, soja, milho e arroz concentram a maior parte da produção nacional. Juntos, esses três cultivos respondem por 92,8% do volume total estimado e ocupam 87,5% da área prevista para colheita.

A soja segue como principal destaque, com produção projetada em 173,3 milhões de toneladas, resultado 4,3% superior ao registrado em 2025. Já o arroz em casca deve alcançar 11,6 milhões de toneladas, queda de 8,0% na comparação anual. Para o milho, a estimativa é de 134,3 milhões de toneladas, volume 5,3% menor que o do ano passado.

No caso do milho, a primeira safra deve atingir 28,9 milhões de toneladas, crescimento de 12,2% frente a 2025. A segunda safra, por sua vez, tem previsão de 105,4 milhões de toneladas, recuo de 9,1%.

Outras culturas também apresentam variações nas estimativas. A produção de trigo deve somar 7,7 milhões de toneladas em 2026, redução de 1,6% em relação ao ciclo anterior. O algodão herbáceo (em caroço) tem previsão de 8,8 milhões de toneladas, queda de 10,5%. Para o sorgo, a estimativa é de 4,9 milhões de toneladas, recuo de 9,5%, enquanto o feijão deve alcançar três milhões de toneladas, leve diminuição de 0,2%.

No que se refere à área plantada destinada à colheita, os dados indicam aumento para algumas culturas. A soja deve registrar expansão de 0,8%, enquanto o milho apresenta crescimento de 2,4%, com alta de 9,5% na primeira safra e de 0,6% na segunda. O sorgo também tem avanço estimado de 0,5%.

Por outro lado, algumas lavouras devem ocupar menos área em 2026. O algodão herbáceo (em caroço) apresenta recuo de 5,8%, o arroz em casca diminui 6,3% e o feijão registra queda de 2,5% na área prevista para colheita.

Centro-Oeste lidera a produção em fevereiro de 2026, com 167,9 milhões de toneladas

Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 167,9 milhões de toneladas (48,8%); Sul, 95,2 milhões de toneladas (27,7%); Sudeste, 30,5 milhões de toneladas (8,9%), Nordeste, 28,9 milhões de toneladas (8,4%) e Norte, 21,5 milhões de toneladas (6,2%).

Em relação à produção de 2025, a estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas variou positivamente para as regiões Sul (10,3%) e Nordeste (4,2%), e negativamente para as regiões Centro-Oeste (-6,0%), Norte (-3,5%) e Sudeste (-1,9%). Quanto à variação mensal da estimativa, em fevereiro cresceu o esperado na produção das regiões Nordeste (2,3%), Sudeste (1,1%), Centro-Oeste (0,3%) e Norte (0,2%). No Sul a estimativa de fevereiro foi 0,1% menor que a de janeiro.

Na distribuição da produção pelas unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,2% na safra nacional, seguido por Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,7%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, estes estados representaram 79,6% da estimativa de produção brasileira para 2026.

As principais variações positivas nas estimativas da produção, em relação a janeiro, ocorreram na Bahia (alta de 652.211 toneladas), em Goiás (424.068 t), em Minas Gerais (321.243 t), no Paraná (306.400 t), em Rondônia (49.323 t), no Maranhão (6.474 t) e no Ceará (42 t). Já as variações negativas maiores ocorreram no Rio Grande do Sul (-359.430 t), no Amapá (-124 t), no Rio de Janeiro (-84 t) e em Roraima (-65 t).

Culturas

Frente a janeiro, houve aumentos nas estimativas da produção do café arábica (+5,6% ou +140.318 t), do sorgo (+5,1% ou +238.602 t), do feijão 1ª safra (+2,6% ou +25.511 t), do milho 1ª safra (+0,8% ou +240.531 t), da soja (+0,4% ou +718.684 t), do café canephora (+0,4% ou +4.447 t) e do milho 2ª safra (+0,2% ou +221.757 t). Houve queda nas estimativas para o feijão 2ª safra (-4,5% ou -57.775 t) e para a cana-de-açúcar (-0,9% ou -6.581.058 t).

CAFÉ (em grão) - A produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi estimada em 3,8 milhões de toneladas (64,1 milhões de sacas de 60 kg), acréscimos de 3,9% em relação a janeiro e de 11,5% em relação ao volume produzido em 2025, um recorde na série histórica da pesquisa, comparável desde 2002.

Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,6 milhões de toneladas (43,9 milhões de sacas), alta de 5,6% em relação a janeiro. Na safra de 2026, aguarda-se um crescimento natural da produção em função das características da espécie, que nos anos pares tende a produzir mais. O clima tem beneficiado as lavouras do Centro-Sul e os problemas climáticos nas principais unidades da Federação produtoras, por enquanto, mostraram-se pontuais.

Em fevereiro, Minas Gerais reavaliou suas estimativas, elevando em 5,5% o rendimento médio e em 2,6% na área plantada. Em relação a 2025, o rendimento médio foi elevado em 18,4% e a área a ser colhida em 5,3%. Preços compensadores nos últimos anos incentivam os produtores a ampliarem as áreas de plantio, os investimentos e os tratos nos cafeeiros. O Estado é o maior produtor de café arábica, com 1,9 milhão de toneladas (31,9 milhões de sacas), alta de 8,2% em relação a janeiro e de 24,7% em relação a 2025, devendo participar com 72,6% da produção nacional dessa espécie.

Para o café canephora, a estimativa da produção foi de 1,2 milhão de toneladas (20,2 milhões de sacas), acréscimo de 0,4% em relação a janeiro e queda de 3,7% em relação ao produzido em 2025. A área a ser colhida avançou 1,3% e o rendimento médio caiu 4,9% frente o ano passado. Embora o clima esteja favorecendo as lavouras, a base comparativa impacta na variação, já que a produção do café canephora, em 2025, foi recorde da série histórica do IBGE. Todavia, incertezas em relação ao volume e à frequência das chuvas no primeiro quadrimestre do ano ainda permanecem.

Em fevereiro, houve crescimentos de 1,4% na estimativa da produção em Rondônia e de 6,8% em Minas Gerais, devido aos crescimentos da área colhida (3,7%) e do rendimento médio (3,1%). Em Rondônia, a produção estimada foi de 182,6 mil toneladas (3,0 milhões de sacas), e a participação deve ser de 15,1% do total produzido no Brasil. Em Minas Gerais, a produção deve alcançar 31,6 mil toneladas (526,0 mil sacas), 7,4% maior que em 2025. O maior produtor do conilon, com participação estimada em 69,4% do total, é o Espírito Santo, com 841,3 mil toneladas esperadas para 2026 (14,0 milhões de sacas).

CANA-DE-AÇÚCAR – A estimativa da produção foi de 700,4 milhões de toneladas, redução de 0,9% em relação a janeiro. Em relação a 2025, a produção deve ser 0,4% menor. As estimativas iniciais apontam para uma maior produtividade esse ano (1,6%), atingindo 74.717 kg/ha.

O clima chuvoso deve favorecer os canaviais. São Paulo, responsável por metade da produção nacional, não reavaliou suas estimativas em fevereiro (352,1 milhões de toneladas). A maior reavaliação no mês foi em Goiás, com queda 6,7% na produção, devido a menor área plantada (-10,1%). Mesmo assim, a produtividade no estado deve crescer 3,8%, com as condições climáticas melhores. Na Região Nordeste, as maiores variações mensais de produção ocorreram em Alagoas (-2,7%) – redução de 2,5% na área plantada – e no Maranhão (-1,0%), que apontou queda de 2,6% na produtividade.

CANOLA (em grão) – A produção da canola foi estimada em 298,9 mil toneladas, crescimento de 13,0% em relação a janeiro. O Rio Grande do Sul é a única unidade da Federação que produz comercialmente o grão no Brasil. O IBGE passou a levantar as estimativas da canola em 2026, já que a produção cresceu muito no estado nos últimos anos, substituindo cultivos tradicionais, como trigo, aveia e coberturas vegetais, consolidando-se como uma cultura de inverno estratégica. Na região noroeste do estado, alguns produtores acumulam mais de sete anos de experiência com o cultivo.

FEIJÃO (em grão) – A estimativa de fevereiro para as três safras do feijão alcançou 3,0 milhões de toneladas, redução de 1,1% em relação a janeiro e de 0,2% em relação a 2025. A produção deve ser suficiente para o abastecimento interno, dispensando a importação. O Paraná, maior produtor nacional de feijão, prevê 688,4 mil toneladas (22,9% de participação), seguido por Minas Gerais com 514,1 mil toneladas (17,1% de participação), Goiás com 364,9 mil toneladas e Mato Grosso com 363,4 mil toneladas.

A estimativa da produção da primeira safra de feijão cresceu 2,6% em fevereiro e chegou a 1,0 milhão toneladas, representando 33,3% de participação no ano. Em relação às regiões geográficas, em fevereiro houve queda na estimativa da primeira safra nas regiões Norte (-1,1%) e Centro-Oeste (-0,7%), que tiveram redução na área a ser colhida de 0,6% e 0,2%, respectivamente. As regiões Nordeste e Sul apresentaram aumento de 4,7% e 3,6% na produção estimada. No Sul, que concentra 30,3% da produção estimada para a 1ª safra, houve aumento de 3,3% na estimativa do rendimento médio. Na Região Sudeste não houve variação significativa.

A segunda safra de feijão foi estimada em 1,2 milhão de toneladas, o que corresponde a 41,2% do total. Em fevereiro, a estimativa caiu 4,5%, reflexo da menor produção esperada na região Sul (-9,3%), que detém 45,4% da segunda safra. O Paraná, maior produtor do Brasil, espera 496,1 mil toneladas, 40% do total da safra. Os preços em baixa estão desestimulando os produtores paranaenses.

Em relação à terceira safra de feijão, a estimativa de fevereiro foi de 766,7 mil toneladas, mesmo volume de janeiro. Frente a 2025, espera-se retração de 0,8% na produção em função das reduções na área (-0,3%) e do rendimento médio (-0,6%). Os maiores produtores da terceira safra são Goiás (258,5 mil toneladas), Minas Gerais (177,2 mil toneladas), Mato Grosso (176,3 mil toneladas) e São Paulo (122 mil toneladas).

MILHO (em grão) - A estimativa de produção foi de 134,3 milhões de toneladas em fevereiro, crescimento de 0,3% em relação a janeiro. A região Sul, segunda maior produtora nacional, obteve um crescimento na produção de 377 mil toneladas (1,3%), o que influenciou os dados nacionais, enquanto a região Centro-Oeste, maior produtora do Brasil, manteve relativamente estável sua estimativa.

O milho primeira safra apresentou uma estimativa de produção de 28,9 milhões de toneladas, aumento de 0,8% em relação ao mês anterior e 12,2% em relação a 2025. A produção no Rio Grande do Sul (22,5% da produção nacional) deve ser de 6,5 milhões de toneladas (22,5% maior que em 2025). No segundo maior produtor nacional, Minas Gerais (17,4% da produção), a estimativa manteve-se estável em 5,0 milhões de toneladas (13,8% acima de 2025).

A estimativa da segunda safra foi de 105,4 milhões de toneladas, 9,1% menor que a safra de 2025. Em comparação com janeiro, houve crescimento de 0,2% na produção e de 0,1% na área e no rendimento médio. As regiões Nordeste, Sudeste e Centro Oeste, mantiveram estabilidade em relação ao mês anterior, e as regiões Norte e Sul apresentaram crescimento de 1,4% e 0,6%, respectivamente. Em relação à safra anterior, todas as regiões apresentaram retrações significativas, associadas às quedas na produtividade.

O maior produtor de milho na segunda safra, o Mato Grosso (47,4% da produção nacional), estimou 50,0 milhões de toneladas, queda de 8,5% em relação a 2025; com retração de 9,9% no rendimento médio (6.732 kg/ha). O Paraná (16,6% de participação), segundo maior produtor nacional, manteve a redução de 0,8% na estimativa anual, apesar do crescimento de 1,6% na área, totalizando 17,5 milhões de toneladas e um rendimento médio de 6 125 kg/ha (-2,3%). Goiás (12,7% de participação), é o terceiro maior produtor nacional do milho segunda safra. A produção mensal teve aumento de 0,2%, alcançando 13,4 milhões de toneladas, associada ao crescimento de 1,4% no rendimento médio (6.171 kg/ha).

SOJA (em grão) – A estimativa da produção alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,3 milhões de toneladas, 0,4% acima de janeiro 4,3% maior que o produzido em 2025. A área cultivada deve crescer 0,8% e alcançar 48,2 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio, de 3 600 kg/ha, deve crescer 3,5% em relação ao ano anterior.

As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das unidades da Federação produtoras e pela recuperação da safra gaúcha. Maior produtor nacional, o Mato Grosso estimou safra de 48,5 milhões de toneladas, queda de 3,3% em relação a 2025, sendo que a área plantada apresentou um crescimento de 1,9% e o rendimento médio caiu em 5,0%. Goiás deve produzir 19,5 milhões de toneladas, queda de 3,8% em relação a 2025, com alta de 0,9% na área e decréscimo de 4,7% no rendimento médio.

O Mato Grosso do Sul aguarda uma produção de 15,0 milhões de toneladas, crescimento de 14,0% em relação ao volume colhido em 2025, havendo crescimentos de 3,2% na área a ser colhida e de 10,5% no rendimento médio. O Paraná, com 22,3 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido do País, com crescimento de 4,3% em relação ao volume colhido em 2025, havendo declínio de 0,2% na área plantada e crescimento de 4,5% no rendimento médio. O Rio Grande do Sul estimou uma produção de 20,8 milhões de toneladas, declínio de 2,1% em relação ao mês anterior, em decorrência da queda de 2,0% no rendimento médio. Em 2025, a produção gaúcha foi prejudicada pelo clima, notadamente pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura, o que faz da safra de 2026, uma recuperação.

SORGO (em grão) – A estimativa da produção do sorgo para fevereiro foi de 4,9 milhões de toneladas, aumento de 5,1% sobre janeiro, com a área plantada 3,4% maior, assim como o rendimento médio, 1,6% maior. No comparativo anual, espera-se por queda de 9,5% na produção. A área plantada pelo sorgo deve ficar em torno de 1,5 milhão de hectares ou 1,9% do total ocupado com cereais, leguminosas e oleaginosas, representando 1,4% da produção desse grupo. O rendimento médio deve alcançar 3.162 kg/ha, indicando aumento de 1,6% sobre janeiro de 2026.

No comparativo mensal com janeiro de 2026, as variações de produção foram alavancadas pelo Sudeste com incremento de 12,4%, ocorrido sobretudo em Minas Gerais, o segundo estado em importância. A produção mineira deve ser de 1,4 milhão de toneladas, aumento de 17,8% no mês. São Paulo, com participação de 10,4% no total nacional manteve as estimativas em fevereiro em 508,0 mil toneladas. No Sul, o Rio Grande do Sul mantém o ritmo de recuperação de suas lavouras, com expectativa de aumento de 5,2%. No Centro-Oeste, responsável por mais da metade da produção nacional, a produção deve aumentar 1,1%, vindo essa variação de Goiás, o maior produtor de sorgo, com cerca de 1,7 milhão de toneladas do produto. O incremento produtivo deve ser de 1,6%, praticamente vindo do ganho de áreas, uma vez que o rendimento médio deve cair marginalmente. As Regiões Norte e Nordeste não variaram ou variaram pouco as estimativas no mês. Restam as expectativas quanto ao clima e domínio do El Niño, previsto para 2026, o que pode afetar as lavouras de soja e de milho de forma diferenciada nas regiões produtoras, tendo impactos também sobre a decisão de plantio do sorgo.

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