Empresa pernambucana é pioneira na tokenização da energia solar
Com investimentos a partir de R$ 100, a pernambucana Fist Energy permite que pessoas físicas se tornem sócias de usinas solares, mirando rentabilidades que podem superar 20% ao ano
Publicado: 07/03/2026 às 08:00
Márcio Cardoso, COO da Fist Energy durante a ExpoRenováveis 2026 (Débora Souza/Divulgação)
O que antes era um investimento restrito a grandes corporações e fundos de capital intensivo, hoje cabe no bolso do cidadão comum. A tokenização de ativos, um processo que transforma um bem físico em frações digitais (tokens) negociáveis via tecnologia blockchain, está catalisando uma revolução silenciosa no setor de energia elétrica brasileiro.
Com aportes que começam em R$ 100, qualquer pessoa pode se tornar sócia de uma usina solar e receber dividendos mensais, um modelo que une a crescente demanda por energia renovável à democratização do mercado de capitais.
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Nesse cenário, a fintech pernambucana Fist Energy surge como pioneira. A empresa, que nasceu no setor de energia, obteve a chancela da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para operar sua própria plataforma de crowdfunding, a fist.app.br. A iniciativa visa preencher uma lacuna no Nordeste, região com alto potencial solar, mas que, segundo a empresa, carecia de veículos de investimento acessíveis.
"A gente acredita que está democratizando o acesso à energia e, ao mesmo tempo, ao investimento. Projetos que antes exigiam milhões de reais para investimento, agora são viáveis com valores muito menores. Removemos a burocracia e o peso dos bancos tradicionais, o que nos permite oferecer uma rentabilidade maior para o investidor e um dinheiro mais barato para o empreendedor", afirma Márcio Cardoso, COO da Fist, em entrevista ao Diario durante a ExpoRenováveis, realizada nesta semana, no Recife.
Primeira experiência
O modelo foi testado com sucesso em 2024, quando a Fist, em parceria com a plataforma MB Startups do Mercado Bitcoin, lançou o que chamam de a "primeira usina solar tokenizada de renda variável digital do Brasil". A captação de R$ 400 mil para a construção de uma usina em Surubim (PE) foi concluída em apenas 32 dias, com cotas de R$ 1.000. O projeto prometia aos investidores uma participação nos lucros gerados pelo aluguel da usina a clientes finais por 30 anos.
A aposta mais recente da plataforma é o projeto "Freedom 2", que ilustra o potencial do modelo. A captação financiará a construção de usinas solares para abastecer os prédios da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco (OAB-PE), em cidades como Caruaru, Serra Talhada e Petrolina. A OAB-PE, por sua vez, pagará um aluguel pela energia gerada, garantindo a receita que será distribuída como dividendos aos investidores.
O atrativo principal é a rentabilidade projetada de até 22% ao ano. "É uma operação muito transparente e segura, porque temos um cliente sério e respaldado nacionalmente", explica Cardoso. A estrutura permite que o investidor, ao receber seus rendimentos mensais, possa sacá-los via Pix ou reinvestir em outros projetos disponíveis na plataforma, que já mira setores como imobiliário, esportes e startups.
Mercado em Ebulição
A iniciativa da Fist não é um caso isolado. O Brasil está se consolidando como um laboratório para a tokenização de ativos reais (RWA - Real World Assets). O mercado, que em 2024 movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão, segundo dados da consultoria Uqbar, vive um momento de convergência entre inovação tecnológica e amadurecimento regulatório.
Relatórios de mercado apontam para um crescimento exponencial, principalmente após a regulamentação do crowdfunding pela CVM. Responsável pela fiscalização e regulamentação do mercado de capitais, a autarquia federal vem, através de consultas públicas e da revisão de normas como a Resolução 88, facilitando as captações via token, ampliando os limites de emissão e de investimento.
O "Brazil Tokenization Report 2025" destaca que o país já possui cerca de R$ 1 bilhão em ativos tokenizados distribuídos e que mais de 70% dos fundos de venture capital nacionais já investem no setor. As projeções globais são ainda mais ambiciosas, com estimativas que variam de US$ 16 trilhões a US$ 30 trilhões em ativos tokenizados até 2030.