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Economia
Caso Master

Quebra do Banco Master e Will Bank deve fortalecer bancos já consolidados no Brasil

Segundo especialista, a liquidação do Banco Master e do Will Bank causa alerta aos usuários. Apenas a liquidação do Will Bank afetou cerca de 12 milhões de pessoas

Thatiany Lucena

Publicado: 25/01/2026 às 22:00

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Uma das maiores fraudes bancárias do país, a liquidação do Banco Master tem repercutido por envolver pressões políticas, altos volumes financeiros e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O escândalo, que recentemente refletiu na liquidação do Will Bank, instituição controlada pelo Master, além de causar preocupação aos usuários de bancos digitais, deve aumentar a procura dos usuários por bancos consolidados no Brasil.

Segundo o professor de Economia da USP, doutor em economia e professor da FIA Business School, Paulo Feldmann, a liquidação mais recente do Will Bank afeta diretamente a confiança dos usuários do sistema no país, tanto para as pessoas que tinham dinheiro no banco, quanto para os usuários do sistema como um todo. “Deve haver uma procura pelos bancos mais importantes: Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica, Banco do Brasil, e talvez o Safra e o BTG. As pessoas vão privilegiar os bancos mais importantes, famosos e grandes”, destaca.

De acordo com o professor, esse movimento vai fazer com que o sistema bancário fique ainda mais concentrado no país. “Bancos pequenos vão sofrer e bancos grandes vão sair ganhando”, afirma.

Para Feldmann, outro ponto de risco é que a maior parte dos usuários do Will Bank são de baixo poder econômico, predominando entre as classes “D” e “E”. “Essas pessoas aplicavam toda a sua poupança no banco, tudo o que tinham aplicavam em títulos, muitas vezes para usar na aposentadoria. Com a liquidação, elas terão dificuldade em reaver os valores. O governo garante até R$ 250 mil, mas, acima disso, não se sabe, e as pessoas podem perder”, analisa.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assegura o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. As garantias incluem valores em conta corrente, poupança, CDBs e letras de crédito imobiliário e do agronegócio. No entanto, para ter direito ao ressarcimento, é preciso se cadastrar no aplicativo do FGC e fazer a solicitação.

Com cerca de 12 milhões de clientes, o Will Bank faz parte do conglomerado do Banco Master. A estimativa é de que o pagamento a depositantes e investidores elegíveis seja de aproximadamente R$ 6,3 bilhões.

Mais rigor do Banco Central
Segundo o especialista, com a repercussão, é fundamental que o Banco Central haja com mais rigor e passe a punir de forma mais severa, bancos que atuem com irregularidades.

“Certamente, deve haver outros bancos, outras fintechs, que estão com uma postura semelhante. Então o Banco Central vai ter que intensificar essa vigilância. Isso é algo que tem que passar inclusive urgentemente para o Banco Central, porque uma parte das aplicações ações feitas em fundos ficava sob acompanhamento da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o que não é adequado”.

Segundo ele, o Banco Central tem mais estrutura que a CVM para fazer esse acompanhamento.

 

Polêmicas que envolvem a liquidação do Banco Master

O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias e uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, além de tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

No dia 15 de janeiro, o BC liquidou o Reag investimentos, fundo ligado às suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master. A Reag foi alvo, no ano passado, de uma megaoperação no MInistério Público de São Paulo contra um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na análise de Feldmann, um dos principais fatos que caracterizam a liquidação extrajudicial do Banco Master como uma das maiores fraudes bancárias do país é que o caso envolve pessoas de poder, como o ministro Dias Toffoli, que teria familiares ligados ao dono do Master, Daniel Vorcaro. “Dias Toffoli impediu a Polícia Federal de fazer uma investigação como deveria, principalmente nos celulares. A impressão que fica é que ele estava com medo que se descobrisse alguma coisa entre o Banco Master e a família dele”, aponta.

Outro ponto que, segundo o especialista, deve fazer com que a população cobre maior controle sobre as regras que regem o sistema bancário brasileiro é o fato do caso ter ido parar no Supremo Tribunal Federal (STF). “Como é que pode dois ministros do Supremo terem relação com o Banco Master e, de repente, o banco quebra e ao invés de ir para a justiça comum como acontece com qualquer banco no Brasil, o caso vai para o Supremo? Tudo isso é muito esquisito”, afirma.

Outra situação que segue como uma das principais polêmicas do caso é a viagem do ministro Dias Toffoli, relator do caso Master, para assistir a Libertadores, no Peru, em 29 de novembro, em um jatinho onde também estava um dos advogados do Banco Master, Augusto Arruda Botelho, que atua no processo defendendo o diretor de compliance do banco, Luiz Antônio Bull, e o ex-deputado Aldo Rabelo.

Do outro lado, a esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, aparece como representante do Banco Master em um processo remetido ao STF que investiga suspeitas de insider trading envolvendo o empresário Nelson Tanure em operações com ações da construtora Gafisa.

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