O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) declarou recentemente a falência do grupo Ricoy, uma das principais redes de supermercado do mundo, depois que os participantes rejeitaram, em 14 de julho de 2025, um plano de recuperação levado à Assembleia Geral de Credores. Uma proposta alternativa apresentada pelos próprios credores também não atingiu o quórum de 35% necessário para ser votada.
A partir de agora, bens e contas bancárias ligados aos CNPJs das empresas do grupo ficam bloqueados.
Cortes de água e dívidas com prefeituras
Faturas atrasadas motivaram um corte de água em uma unidade do Vencedor Atacadista, em Várzea Paulista. Em janeiro de 2026, o grupo recorreu à Justiça, e uma liminar chegou a proibir novos cortes por débitos anteriores à recuperação judicial, sob alegação de risco à operação das lojas.
Lojas fechadas e faturamento desviado
Uma fiscalização da administradora judicial identificou o fechamento repentino de pelo menos 19 lojas do grupo. O mesmo relatório aponta desvio de faturamento das unidades. Em uma tentativa de blindar o dinheiro contra a penhora dos credores, duas outras empresas eram usadas para receber os pagamentos feitos por cartão de crédito nos caixas dos estabelecimentos.
No auge, o conglomerado somou 96 lojas, mais de 5 mil funcionários e presença em 76 municípios paulistas.
Concorrência, Selic e promessa não cumprida
As próprias empresas do grupo atribuem o colapso financeiro a três fatores: a concorrência crescente dos atacarejos. As incertezas fiscais herdadas de uma incorporação em 2012 e o encarecimento da dívida provocado pela alta da Selic a partir de 2022.
Em março deste ano, os fundadores venderam a totalidade das ações ao empresário Cícero Santos Guedes, que assumiu o comando de todas as empresas do grupo. Segundo o processo, ele se comprometeu a aplicar R$ 50 milhões no caixa das empresas, destinados a pagamentos em atraso e capital de giro, e o valor, porém, nunca foi depositado.
A nova administração deixou de enviar à Justiça documentos financeiros considerados essenciais, como demonstrativos, extratos bancários, livros contábeis e folhas de pagamento. Cícero tentou suspender o andamento do processo e acusou os antigos sócios de ocultar o real tamanho da dívida ao vender o negócio.
A juíza rejeitou o pedido porque, como controlador e administrador das sociedades do grupo, Cícero poderia ter acesso à documentação contábil e societária. Esses documentos costumam ser analisados durante processos de compra e venda. Com a falência decretada, os credores dependem da administração judicial para tentar reaver parte dos valores devidos pelas 33 empresas do grupo.










