Quando se pensa em neve no Brasil, o Sul vem à mente. O fenômeno, porém, já marcou presença em pontos do Sudeste, em momentos raros da história climática nacional. O interior de São Paulo e regiões do Rio de Janeiro registraram nevascas em períodos específicos, deixando marcas que contrastam com a imagem tropical do país.
Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) e do Climatempo confirmam que não há documentação de neve na capital paulista desde 1910. A forte geada de 25 de junho de 1918, na Avenida Paulista, alimentou a crença popular de que teria nevado no local, mas meteorologistas desmentem essa interpretação. Os registros históricos revelam, porém, um passado mais gelado do que se imagina.
Neve no Brasil em Campos do Jordão no ano de 1928
Em 1928, Campos do Jordão amanheceu coberta de neve, conforme mostram fotografias do acervo de um historiador. As imagens registram moradores com muitas camadas de roupa em meio à neve, um cenário incomum para uma cidade brasileira. Na época, regiões montanhosas de clima ameno atraíam pessoas em busca de alívio para a tuberculose.
Hoje conhecida nacionalmente como a “Suíça Brasileira”, a cidade se consolidou como destino turístico no inverno paulista. O contraste entre aquela nevasca e o clima pelo qual a cidade é conhecida hoje reforça a raridade do fenômeno.
Rio de Janeiro com neve em altitude
O Rio de Janeiro, conhecido pelas temperaturas elevadas, também registrou neve. O Parque Nacional do Itatiaia, acima de 2.300 metros de altitude, teve o fenômeno pelo menos três vezes: em 1985, 1988 e 2012. Fotografias documentam carros, telhados e montanhas cobertos de neve na região, ao sul do estado.
Essas imagens contrastam com a reputação tropical fluminense. O registro de neve em uma das áreas mais altas do estado mostra que eventos climáticos extremos, embora excepcionais, deixaram marcas na memória do país.
Sul com neve frequente e recente
Eventos esporádicos de neve marcam as regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina durante passagens de ondas polares. O Paraná também registrou o fenômeno, como em 2013, quando a nevasca causou destruição significativa em Guarapuava.
Na ocasião, o peso da neve fez desabar os telhados de uma loja e de um ginásio de esportes, e pelo menos dez acidentes foram documentados. Este ano, Santa Catarina recebeu neve com acúmulo de até 3 centímetros, acima da quantidade registrada em 2024.
Uma rodovia no estado precisou ser fechada por uma hora durante a manhã por causa da intensidade da nevasca. A menor temperatura do evento foi de 1,3 grau Celsius negativo, registrada em Urupema.
Como a neve chega ao Brasil tropical
A neve ocorre em regiões que raramente a recebem quando uma massa de ar extremamente frio encontra nuvens formadas em altitude elevada, e essa combinação reúne as condições necessárias para o fenômeno.
Foi essa combinação que levou cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul a amanhecerem com ruas brancas pela primeira vez neste ano. Apesar de raros, esses eventos climáticos marcaram a história brasileira. Cada registro — da neve de 1928 em Campos do Jordão às cenas recentes do Sul — documenta como o Brasil revela.
Em seus pontos mais altos ou durante fenômenos extremos, um lado gelado que contrasta com sua identidade tropical.










