A maior árvore já registrada no Brasil tem 88,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares. O exemplar é um angelim-vermelho, nome científico Dinizia excelsa, e fica na Floresta Estadual do Paru, no oeste do Pará. Segundo o portal Diário do Litoral, a árvore levou quase 600 anos para chegar a esse tamanho, com crescimento estimado entre os séculos XV e XVII.
A descoberta impulsionou mudanças na política ambiental da região. Em 2024, o governo do Pará criou o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, unidade de conservação com cerca de 560 mil hectares voltada à proteção de árvores que ultrapassam 70 metros de altura. O exemplar recordista se destaca no dossel da floresta, recebe luz solar direta e serve de abrigo para diversas espécies da fauna local.
Uso na construção civil
O angelim-vermelho protegido na reserva não pode ser explorado, mas a espécie tem presença forte na construção civil brasileira. Outras árvores da mesma família são cortadas de forma legal em áreas de manejo florestal autorizado, nos estados do Pará, Amapá, Amazonas e Roraima.
A madeira é usada em pisos, vigas, estruturas de telhado e pilares. Também entra em obras de infraestrutura pesada, como pontes, estacas e dormentes ferroviários. A preferência do setor se explica pela densidade do material, que costuma ultrapassar 900 kg por metro cúbico, conferindo alta resistência mecânica.
A coloração castanho-avermelhada é característica da espécie. Além da resistência física, a madeira oferece proteção natural contra cupins, fungos e outros organismos que degradam estruturas expostas ao clima.
Desafios no processamento
A dureza do angelim-vermelho traz dificuldades para marcenarias e indústrias madeireiras. O material acelera o desgaste de brocas e ferramentas de corte durante o beneficiamento das toras.
Outro ponto é o odor intenso liberado durante o corte, resultado de compostos naturais retidos na madeira recém-serrada. O cheiro forte é uma característica conhecida por quem trabalha com a espécie e exige ventilação adequada nos ambientes de processamento.










