Rochas do norte da China guardavam um fóssil com uma anatomia inesperada para aquele período. Na formação Shanxi, pesquisadores identificaram restos vegetais com carpelos que continham óvulos fechados, característica que define as plantas com flores.
Até agora, o entendimento aceito era que esse grupo só teria aparecido no planeta durante o Cretáceo. Com essa datação, a linha do tempo das angiospermas recua mais de cem milhões de anos, o que altera a história botânica.
Uma espécie batizada a partir de rocha antiga
O material recebeu o nome científico Permocarpelloides shuozhouensis, em uma referência direta ao período Permiano, quando a rocha se formou. Dentro dela, os cientistas encontraram estruturas semelhantes a carpelos fechados, com sementes protegidas em seu interior — algo só esperado em plantas muito mais recentes.
Esse fechamento das sementes é justamente o que separa as angiospermas de outros grupos vegetais mais antigos. Encontrar esse padrão em uma rocha do Permiano sugere que a complexidade reprodutiva das flores começou a se formar muito antes do que a paleobotânica supunha até aqui.
Como a tecnologia confirmou o achado
Para não destruir o fóssil durante a análise, a equipe recorreu à microtomografia computadorizada, que permitiu reconstruir a anatomia interna com precisão. Imagens tridimensionais das camadas internas confirmaram que os óvulos estavam mesmo encerrados dentro das estruturas carpelares, afastando dúvidas sobre uma interpretação equivocada do material.
Esse tipo de exame também permitiu mapear com precisão a anatomia da planta. Décadas atrás, isso exigiria cortar e destruir amostras raras, e o resultado deu aos pesquisadores confiança para classificar o fóssil dentro de um grupo vegetal tão específico.
Um enigma que já intrigava Darwin
O surgimento repentino de plantas com flores no registro fóssil incomodava cientistas há muito tempo — Charles Darwin chegou a chamar o fenômeno de mistério abominável. Faltava justamente um elo que mostrasse como esse grupo vegetal evoluiu antes de dominar a paisagem terrestre.
Ao revelar traços florais em uma rocha tão antiga, o fóssil chinês aponta para uma transição evolutiva muito mais longa do que os registros anteriores indicavam. A descoberta reabre a discussão sobre quando, de fato, as primeiras flores começaram a se formar na Terra.










