Escondida sob a areia, a formiga-leão utiliza uma estratégia de caça para capturar pequenos insetos que passam pelo local. Também chamada de formigão, furão, joão-torrão, mirmeleão, piolho-de-urubu e tatuzinho, ela corresponde à fase larval de insetos da família Myrmeleontidae. Com suas mandíbulas alongadas, constrói pequenas armadilhas em formato de funil no solo arenoso e permanece imóvel no fundo, aguardando que alguma presa perca o equilíbrio e deslize até seu alcance.
O nome vem desse comportamento de caça, embora o animal não tenha parentesco com as formigas. A formiga-leão pertence à ordem Neuroptera, grupo de insetos que caça tanto na fase larval quanto na adulta. Tem distribuição neotropical e ocorre em diferentes pontos da América, sempre associada a terrenos arenosos e protegidos.
Como a armadilha funciona no solo
A larva escava um funil andando de trás para frente e empurrando areia com as mandíbulas. Depois, posiciona-se no fundo, onde fica praticamente invisível para a presa. Quando um inseto desavisado pisa na borda inclinada, a areia desmorona e o arrasta para dentro, até as mandíbulas.
Durante a tentativa de fuga, a vítima joga partículas de areia para os lados. A larva revida lançando grãos de volta e derruba a presa novamente até o fundo. Então, injeta saliva digestiva pelas mandíbulas, enfraquece a presa e a enterra.
Tamanho da armadilha e escolha do terreno
O diâmetro dessas armadilhas varia entre 2 e 5 centímetros, de acordo com o porte da larva e a umidade do solo.
Quanto maior a larva, mais alimento ela precisa e, por isso, tende a cavar funis maiores. Estudos já relacionaram diretamente o tamanho do buraco ao comprimento da larva. Substratos úmidos ou compactos dificultam a escavação e podem levar a larva à morte por falta de alimento.
Na escolha do local, além da granulação da areia, pesam fatores como a chance de perturbação do ambiente, a presença de presas por perto e a temperatura do solo. É comum encontrar essas armadilhas embaixo de plantas, pedras ou troncos, abrigadas da chuva, do sol e de pisoteio, embora também apareçam longe de qualquer proteção.
Disputa por espaço e efeito ricochete
A distribuição dos funis pelo terreno revela a competição entre larvas vizinhas, que costumam manter certa distância umas das outras.
A formiga-leão captura não apenas formigas, mas também lagartas, larvas de besouros e até outros indivíduos da mesma espécie. Armadilhas maiores parecem capturar presas maiores e em maior quantidade, o que aumenta as chances de sobrevivência das larvas que conseguem cavar um funil mais largo.
Quando várias armadilhas ficam próximas, a presa pode cair em uma, escapar, e tropeçar em outra logo em seguida — um efeito chamado de “ricochete” que a deixa mais fraca a cada tentativa. Isso favorece até larvas menores, que conseguem concluir a captura mesmo com funis pequenos.
Da larva à metamorfose e vida adulta
A fase de larva pode durar bastante tempo, já que o animal suporta até 8 meses sem se alimentar. A transformação em adulto, porém, acontece rápido: leva cerca de um mês para a ninfa completar a metamorfose.
O inseto adulto chega a 4 centímetros de comprimento e até 8 centímetros de envergadura de asas. Tem antenas filiformes e dois pares de asas que cobrem o corpo como um abrigo quando está parado. Voa apenas ao anoitecer ou durante a noite, e sua vida adulta é curta: dura da primavera ao outono.










