A Havan destina até R$ 1,5 milhão para erguer cada uma das réplicas da Estátua da Liberdade que marcam a entrada de suas lojas pelo país. Ao todo, já são mais de 70 dessas esculturas instaladas pelo Brasil, usadas pela rede como chamariz visual para quem passa de carro por estradas e centros urbanos.
Diante do valor total para colocar uma megaloja da rede em funcionamento (entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, conforme apurou o Diário do Pernambuco), o gasto com a estátua é relativamente pequeno. Na prática, a escultura responde por no máximo 1,5% do valor investido em cada unidade, apesar do destaque que ganha na paisagem das rodovias.
Como a estátua é fabricada e transportada
A produção acontece em Santa Catarina, onde cerca de 50 profissionais e 6 empresas parceiras trabalham em conjunto. O esqueleto de metal revestido com fibra de vidro leva até 30 dias para ficar pronto, envolvendo uma sequência complexa de etapas que vai da estrutura metálica interna até a perfuração de estaca no solo.
Ao longo de 1,4 mil quilômetros, o monumento desmontado é transportado em carretas especiais durante 3 dias, para garantir a passagem por pontes e pedágios sem interromper o fluxo das rodovias.
Na chegada ao destino, a engenharia de base envolve a perfuração do solo e a fundação de concreto armado. Depois, são locados guindastes de grande porte para içar a estrutura a 35 metros de altura, o que a transforma em um farol visual nas estradas.
Os gastos reais ficam além da instalação inicial
Entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão é o valor total que pode ser gasto em cada instalação, conforme a complexidade logística e as dimensões do projeto — mas os gastos não terminam quando a estátua é erguida. Inspeção estrutural periódica e prevenção contra vendavais integram a manutenção contínua, aumentando os custos operacionais ao longo do tempo.
O caso da réplica em Guaíba, no Rio Grande do Sul, mostrou esses desafios. Durante um temporal com ventos superiores a 90 km/h no final de 2025, a estrutura caiu e causou um prejuízo aproximado de R$ 1 milhão. A assessoria da Havan informou que ninguém ficou ferido e que a área foi isolada conforme protocolos de segurança, mantendo a prioridade na proteção de clientes e colaboradores.
A queda mostrou que restauração, inspeção, remoção e manutenção podem ampliar o custo operacional de uma estrutura desse porte. Fatores como o tipo de material usado, o projeto da peça, a forma de fixação, a fundação e o terreno onde ela é instalada influenciam diretamente na segurança do monumento, principalmente quando a região enfrenta eventos climáticos extremos.
Cada instalação depende das características próprias do terreno, da fundação, da estrutura e das condições climáticas e exige uma análise de segurança individual. As megalojas padrão da rede geram 200 empregos diretos, e o investimento na estátua se transforma em um reconhecimento imediato da marca que se paga rapidamente.
Como o custo de manutenção muda o cálculo econômico real
Embora R$ 1,5 milhão pareça pequeno diante dos R$ 50 a R$ 100 milhões de uma megastore, o artigo inicial ignora que esse valor cobre apenas a instalação inicial. Inspeções estruturais periódicas, reforços contra vendavais e, sobretudo, recuperação após eventos climáticos podem transformar uma estrutura de R$ 1 milhão em um passivo contínuo que não gera receita direta.
No caso de Guaíba, a queda de uma única estátua resultou em prejuízo aproximado de R$ 1 milhão, o que duplicou o investimento inicial em poucos segundos. Cada réplica carrega um risco financeiro que varia conforme o terreno, a fundação e a exposição climática local, tornando a conta final da estrutura imprevisível antes da ocorrência de eventos extremos.










