Um piano solitário e nenhum recurso de autotune bastaram para Elton John conquistar o público, desconfiado no início do show, na noite da última segunda-feira, 7, no Rock in Rio. Nove anos depois de se apresentar no país, o cantor britânico usou boa parte das mais de duas horas de espetáculo para se desculpar por ter deixado o Brasil de fora da turnê de despedida.
Batizada de Farewell Yellow Brick Road e anunciada em 2023, a turnê marcou o adeus dos grandes palcos para o músico. Segundo Elton John, aceitar o convite do festival foi a forma que encontrou para compensar essa ausência, já que a passagem de despedida pelo país não havia acontecido.
Uma plateia conquistada aos poucos
Faixas como Tiny Dancer, Rocketman e Goodbye Yellow Brick Road saíram com um fôlego vocal difícil de encontrar em artistas de gerações mais recentes. Ao fim de cada música, ele se erguia do banco, acenava e agradecia com um sorriso breve, gesto repetido ao longo de toda a apresentação.
O figurino reforçava o clima de celebração brasileira: blazer amarelo, camisa azul e os óculos espelhados que se tornaram sua marca ao longo da carreira. A banda que o acompanhava vestia as mesmas cores.
O motivo da longa ausência
Foi durante a apresentação que o cantor explicou ao público por que não havia passado pelo Brasil na última turnê: a pandemia de Covid-19 impediu que a passagem acontecesse. Ele afirmou ainda que considera o país um dos lugares mais especiais para sua música e para o carinho recebido dos fãs ao longo dos anos.
Ainda em Sad Songs (Say So Much), pediu que a plateia batesse palmas no ritmo da canção e foi atendido de imediato. Elton também deixou claro que não pretende retomar grandes turnês depois desta apresentação, tratando a passagem pelo festival como um capítulo à parte da aposentadoria dos palcos.
Uma homenagem e o uso do telão
Um dos momentos mais emocionantes da noite veio com Candle In The Wind, dedicada a atriz Marilyn Monroe, que completaria 100 anos em 2026. A canção foi escrita 11 anos depois da morte da atriz e começa com uma despedida a Norma Jeane, seu nome de batismo. Imagens da artista ocuparam o telão no lugar do próprio cantor.
O excesso de imagens pré-gravadas foi apontado como o ponto mais frágil da apresentação. Em Tiny Dancer e em trechos que remetiam a Rocketman, sua cinebiografia, quem esperava ver Elton cantar ao vivo passou boa parte do tempo observando cenas gravadas na tela gigante do festival.
Ainda assim, a crítica especializada considerou o uso do recurso um dos melhores vistos no primeiro fim de semana do Rock in Rio.
O Brasil em destaque no fim do show
A reta final da apresentação compensou essa lacuna visual. Em Crocodile Rock, o palco recebeu passistas, bandeiras e roupas com estampas brasileiras, além de fãs selecionados para aparecer no telão em meio a uma coreografia de samba. Escolhida porque faz sucesso no Brasil sem repercussão parecida em outros países, Skyline Pigeon levou as mais de 100 mil pessoas presentes a cantar o refrão “Fly Away” em uníssono.
Provavelmente a última de Elton John em solo brasileiro, a apresentação terminou com Your Song. O cantor expressou seu amor ao Brasil e às pessoas do país e disse que queria muito cantar aquela música.










