Com um único funcionário, algumas prateleiras de tecidos e um balcão, a Havan nasceu em 1986 em um espaço de apenas 45 metros quadrados na cidade de Brusque, no Vale do Itajaí. Passados quase 40 anos daquele início modesto, a marca catarinense figura hoje entre as mais reconhecidas do comércio varejista do país.
Ao todo, são 196 megalojas distribuídas pelo Brasil, com fachadas de grande porte que contrariam quem apostava no declínio das lojas físicas. O que torna essa história notável não é só a dimensão alcançada, mas o caminho contrário ao que boa parte do setor seguiu.
Enquanto o mercado abandonava grandes lojas para abraçar o e-commerce, a Havan apostou na estratégia oposta: megalojas amplas, forte presença regional, mix variado de produtos e uma experiência que transformasse as compras em evento. Hoje, a operação inclui cartão próprio, presença nacional no e-commerce e um portfólio que vai de itens para casa a eletroeletrônicos, moda, brinquedos e decoração.
Havan crescendo enquanto varejo tradicional desaparecia
Nos anos 1980, Brusque era um dos principais polos têxteis do Sul. Foi neste cenário que Luciano Hang conheceu esse ambiente por dentro: filho de operários da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, passou pela expedição, pelas vendas e pela produção. A experiência na indústria o convenceu de que sua vocação estava menos em produzir e mais em vender.
Hang fundou a Havan em 1986 junto com o sócio Vanderlei de Limas. O nome nasceu da combinação dos dois sobrenomes, e a sociedade durou cinco anos, quando Luciano tornou-se dono único. Naquele momento, a decisão de seguir na direção oposta ao mercado definiria o futuro.
Enquanto nomes como Mesbla, Mappin e Arapuã desapareciam do varejo brasileiro, a rede catarinense crescia justamente no modelo de megalojas que parecia condenado pela abertura econômica e pela reorganização do consumo.
A estátua que virou símbolo nacional
A identificação visual da Havan começou pela Casa Branca, fachada icônica presente em várias filiais. A Estátua da Liberdade foi instalada pela primeira vez em Brusque e se tornou uma assinatura visual da rede, funcionando como sinal de reconhecimento imediato.
Desde então, o monumento se multiplicou pelo país. Nenhum outro país no mundo reúne tantas réplicas da Estátua da Liberdade quanto o Brasil, resultado direto da disseminação do monumento pelas unidades da Havan. Mais de 70 réplicas estão espalhadas em filiais brasileiras, com altura padrão de 37 metros, exceto em Barra Velha (SC), onde atinge 57 metros e é a maior estátua do Brasil.
Além de ser uma marca visual reconhecível, a réplica se tornou uma parada para moradores e turistas que param para fotografar. Em Barra Velha, um mirante com elevador panorâmico oferece vista para o mar de Santa Catarina.
O significado além da fachada
O monumento consolidou a varejista não apenas como rede de varejo, mas também como fenômeno cultural brasileiro, ao contrariar o destino que parecia inexorável para o comércio físico. Luciano Hang ganhou visibilidade pública quando a Havan respondeu a boatos sobre a propriedade da empresa com uma campanha, em 2016, que estampava sua imagem nas lojas.
O que começou como uma provocação nas redes sociais, a expressão “Véio da Havan”, acabou absorvida pela própria empresa em suas campanhas, tornando-se parte de como o público reconhece a marca. Essa mudança consolidou a empresa como um dos maiores sucessos do varejo brasileiro em um período marcado pelo fechamento de grandes lojas físicas.










