O Grupo Ricoy, uma das redes de supermercados mais tradicionais de São Paulo, teve sua falência oficialmente decretada pela Justiça paulista no dia 28 de agosto. A decisão que foi assinada pela juíza Fernanda Perez Jacomini, afeta 33 empresas do grupo — entre supermercados, distribuidoras, holdings e a operação do Vencedor Atacadista.
No auge da operação, a rede chegou a ter 96 lojas em mais de 70 municípios do estado e empregou diretamente mais de 5000 trabalhadores. A falência encerra uma tentativa de recuperação judicial que durou menos de 1 ano e começou com o pedido apresentado em 29 de outubro de 2025.
Como chegou à falência
Os credores rejeitaram em julho o plano de reorganização da empresa apresentado pelo próprio Ricoy. O grupo não obteve a aprovação necessária na Classe III, que reúne principalmente credores sem garantia real. A Justiça considerou que não havia requisitos para forçar a aprovação, mecanismo conhecido como cram down.
Uma segunda proposta, formulada por um grupo de credores em agosto, também fracassou. Os signatários do plano representavam apenas 0,185% dos créditos presentes na assembleia de credores, muito abaixo do quórum de 35% exigido para levar a proposta à votação. Com isso, a reorganização não poderia salvar o negócio.
Problemas que aceleraram o colapso
Durante a recuperação, a administradora judicial relatou uma série de problemas operacionais e financeiros. O grupo deixou de fornecer documentos operacionais, financeiros, contábeis e trabalhistas desde fevereiro de 2026, impossibilitando o acompanhamento adequado do processo.
Inspeções nas operações revelaram que a rede encolheu rapidamente e que nenhuma unidade funcionava plenamente em agosto. A administradora também relatou o fechamento de lojas e o uso de máquinas de cartão que redirecionavam pagamentos para empresas externas ao grupo em recuperação. Esse uso desviava recursos que deveriam ser concentrados.
Próximos passos
Com a falência decretada, o processo muda de objetivo: deixa de buscar a preservação e a reorganização das empresas. E passa à arrecadação e à venda de ativos para pagar os credores conforme a ordem legal. A sentença cancelou a assembleia de credores prevista para esta terça-feira porque concluiu que não havia quórum legal para votação.










