A Ford Motor Company vai aplicar um total de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) na reformulação da Kentucky Truck Plant, considerada a unidade de maior porte e a que mais gera receita para a empresa em todo o mundo. Mais de 12 mil pessoas trabalham na planta de Louisville, que sustenta cerca de 11 mil postos diretos de trabalho. O setor de pintura da fábrica será totalmente renovado.
Esse valor faz parte de um total de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,8 bilhões) que a Ford planeja empregar na reestruturação de suas operações no estado americano de Kentucky. Nenhuma dessas iniciativas afeta o Brasil, onde a montadora segue com suas operações normais.
Modernização da fábrica de Louisville
Uma oficina de pintura de última geração será construída na Kentucky Truck Plant, com o objetivo de aumentar a eficiência, melhorar a qualidade do acabamento e reduzir o impacto ambiental da produção. As obras devem começar até o fim de 2026, conforme o cronograma da empresa.
A linha de produção atual fabrica um veículo a cada 45 segundos. A unidade produz as picapes F-Series Super Duty e os utilitários Ford Expedition e Lincoln Navigator, modelos que geram receita significativa para a corporação.
Também em Louisville, a Louisville Assembly Plant recebe o Sistema Universal de Produção de EVs, voltado à fabricação da picape elétrica média Ford Fathom. O lançamento está marcado para 2027 e complementa a estratégia de eletrificação da companhia.
Conversão de fábrica em Glendale e novos postos
A Ford assumiu o controle total das instalações em Glendale após o encerramento da parceria com a fabricante sul-coreana SK On na joint venture BlueOval SK, anunciado em 16 de dezembro de 2025. O fim do acordo redefiniu o destino das fábricas Kentucky 1 e Kentucky 2 naquela região.
Com a dissolução do acordo internacional, a SK On migrou para o Tennessee, enquanto a Ford direcionou US$ 2 bilhões (R$ 11,2 bilhões) para converter a unidade de Glendale. A ideia é que o local passe a fabricar baterias para armazenamento de energia, suprindo concessionárias do setor elétrico, data centers de Inteligência Artificial e clientes industriais. A capacidade inicial deve entrar em funcionamento em até 18 meses após o anúncio de dezembro de 2025.
A mudança gera 2.100 vagas de emprego na nova operação e abre a possibilidade de candidatura para os 1.600 funcionários desligados durante a transição. Esse movimento reflete a aposta da Ford na transição energética e no mercado emergente de soluções de armazenamento. A fábrica Kentucky 2, no complexo, teve suas atividades suspensas por tempo indeterminado em 2024.
Contexto dos investimentos americanos
O projeto original de 2021, apresentado pelo governador Andy Beshear, previa US$ 5,8 bilhões em investimentos e 5 mil postos de trabalho nas duas instalações do complexo. A reconfiguração atual mantém o volume de recursos, mas altera seu destino e a escala de contratações previstas.
Em comunicado oficial, o CEO Jim Farley afirmou que a companhia está redirecionando capital para priorizar áreas com maior potencial de lucro, citando a divisão Ford Pro, as picapes, os híbridos e o armazenamento de energia. Segundo ele, essa reorientação atende a demandas dos clientes e visa tornar a Ford mais forte e resiliente.
E lucrativa, porque a realidade operacional mudou e a empresa redireciona capital para oportunidades de crescimento de maior retorno. Farley também disse que a Ford e Kentucky crescem juntos há mais de um século e que a empresa investe para garantir que essa relação permaneça forte por gerações.
A diferença no momento das divulgações — a transformação de Glendale em dezembro de 2025. E o plano de Louisville em setembro de 2026 — mostra os ajustes contínuos nos planos da montadora conforme as condições de mercado e as parcerias evoluem.










