O economista Fernando Gomes Fernandez resgatou três filhotes de gato abandonados no jardim do prédio onde mora, em Brasília, e temia a reação da própria cachorra ao chegar em casa com os bichanos. A dachshund, de 10 anos, nunca tinha dividido espaço com felinos pequenos e indefesos.
O novo tutor contou que, logo no primeiro contato, a cadela agiu de um jeito que ele não esperava, bem diferente do que ele havia imaginado antes de levar os gatinhos para dentro de casa. Ao notar a animação dela perto dos bichanos, chegou a temer o pior.
A cena que mudou tudo
Os filhotes foram tomados da mão do tutor pela própria cadela, que saiu correndo pela casa e o deixou apreensivo. Minutos depois, ele a encontrou lambendo com cuidado um dos bichanos, cena que bastou para virar sua impressão sobre o comportamento dela de ponta a cabeça.
Ainda assim, um certo cuidado foi mantido nos dias seguintes pelo economista. Ao sair para trabalhar, ele trancava os recém-chegados em um cômodo separado, só para garantir a segurança deles enquanto observava como a convivência evoluiria.
Leite materno e explicação do fenômeno
A rotina mudou no dia em que o tutor chegou do trabalho e encontrou a cadela escondida com os três gatinhos, mamando nela. Mesmo castrada, o animal passou a produzir leite, surpreendendo o próprio dono.
O veterinário Rangel Barcellos, vizinho de Fernando, informou que essa reação é comum entre animais. O nome do fenômeno é pseudociese, que envolve a liberação de hormônios para estimular a amamentação, uma espécie de gravidez psicológica. Barcellos afirmou que espécies diferentes não representam problema nesses casos, já que não há risco de ataque da cadela aos gatos.
O leite produzido por uma cadela, porém, tem composição nutricional diferente do leite de gata, o que pode não suprir totalmente as necessidades dos filhotes felinos. Casos de pseudociese também podem evoluir para infecções e mastite quando não recebem atenção adequada, segundo apurou a reportagem.
Destino dos filhotes após o resgate
Apesar do vínculo criado entre os animais, o tutor decidiu que não poderia manter os três recém-chegados em definitivo. Um apartamento de 70 m², já dividido com outros cães, tornava inviável abrigar tantos bichos ao mesmo tempo.
Candidatos interessados em adotar os gatinhos já haviam aparecido na época, segundo relatou o próprio economista. A separação não apagou o episódio que marcou a rotina da família e virou assunto entre vizinhos do prédio em Brasília.










