As minhocas desempenham funções muito mais importantes que a de servir de isca para pescadores. Esses vermes anelídeos têm corpo segmentado, são parentes distantes das sanguessugas e habitam o planeta há centenas de milhões de anos.
Uma pesquisa da Universidade de Edimburgo mostrou que os peixes podem preferir salsichas, coração de frango e iscas artificiais às minhocas. Algumas espécies também podem causar alterações em florestas dos Estados Unidos ao se alimentarem de folhas e húmus que protegem o solo.
Minhocas transformam o solo
Na agricultura, as minhocas decompõem material orgânico e contribuem para a liberação de nutrientes no solo. As espécies que vivem no subsolo abrem galerias que facilitam a circulação de ar e água e podem favorecer o crescimento das raízes das plantas.
Os antigos egípcios já reconheciam a importância das minhocas para a fertilidade das margens do rio Nilo. A associação com a agricultura era tão forte que o animal ganhou destaque na cultura egípcia.
Há milhares de espécies de minhocas catalogadas, com tamanhos variados. A Megascolides australis, encontrada na Austrália, pode chegar a cerca de 2 metros de comprimento.
Aplicações e pesquisa científica
Pesquisadores estudam o uso de minhocas na transformação de resíduos orgânicos, inclusive materiais provenientes de sistemas de esgoto, em produtos que podem ser utilizados como adubo. Também existem pesquisas sobre a capacidade desses animais de influenciar a degradação de contaminantes presentes no solo.
Cientistas investigam ainda substâncias produzidas por diferentes espécies de minhocas. Uma delas é a lumbroquinase, um conjunto de enzimas estudado por suas propriedades biológicas. Outras pesquisas analisam compostos presentes nesses animais e suas possíveis aplicações.
A Universidade do Colorado também utiliza vermes como organismos-modelo em estudos relacionados ao envelhecimento.
Minhocas na culinária e na história
O consumo de minhocas é registrado em diferentes culturas e regiões. Na China e em Taiwan, há preparações que utilizam o animal, enquanto outros povos também incorporaram minhocas à alimentação tradicional.
Segundo especialistas citados em estudos sobre o tema, o sabor pode apresentar características descritas como terrosas.
As minhocas também despertaram o interesse de Charles Darwin. No século 19, o naturalista estudou a ação desses animais sobre o solo e publicou, em 1881, o livro “A Formação do Solo pela Ação das Minhocas”.
Darwin mostrou que a atividade das minhocas contribui para transportar materiais da superfície para camadas mais profundas do solo. Esse trabalho ajudou a demonstrar a importância desses animais na formação e transformação do ambiente terrestre.










