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Se a Lua não possui uma atmosfera respirável, como os humanos poderiam viver durante anos em uma base construída fora da Terra?

Por Milton Filho
16/09/2026
Lua possui atmosfera respirável humanos

Foto: Roger Verkade/Pexels

A viabilidade de habitar a Lua permanece como uma das grandes questões do século, embora a tecnologia avance rapidamente e projetos ambiciosos apontem para cidades no principal satélite da Terra. Um cálculo simples revela um obstáculo fundamental: as reservas de água do satélite são finitas demais para sustentar uma população permanente de grande escala.

Os pesquisadores Martin Elvis e Jonathan McDowell trazem números que ajudam a entender essa limitação em um estudo divulgado na revista Frontiers in Space Technologies. Segundo os cálculos, uma população de um milhão de pessoas esgotaria todo o estoque de água lunar em cerca de cem anos, o que torna inviável manter uma colônia permanente nesses moldes sem trazer recursos de fora com regularidade.

Onde está a água lunar e por que é tão escassa

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É nas proximidades dos polos lunares, em crateras que ficam permanentemente na sombra, que se encontra a água do satélite. Essa paisagem irregular tem origem em impactos de asteroides ocorridos há bilhões de anos, logo depois da formação da Lua, e foram justamente essas depressões formadas pelas colisões que acabaram funcionando como esconderijos naturais para o gelo até os dias de hoje.

Nessas zonas de escuridão permanente, a temperatura cai para menos de 163 graus Celsius. Isso impede que o gelo se transforme em vapor mesmo sob as condições de vácuo da superfície lunar.

Três caminhos para tornar a habitação lunar sustentável

Diante dessa realidade, os cientistas propõem soluções em três frentes. A primeira é aumentar a eficiência da reciclagem de água em cinco vezes ou mais, de modo que praticamente toda a água consumida seja reutilizada.

Estruturas pressurizadas cobertas por camadas de solo lunar protegeriam os residentes contra radiação solar e micrometeoritos, enquanto sistemas de ciclos fechados regenerariam constantemente o oxigênio e purificariam o ar.

A segunda estratégia é reduzir o consumo. A agricultura vertical em ambientes controlados, por exemplo, exige menos água que o cultivo tradicional. Uma terceira via propõe importar água de outras fontes, mas o custo de transporte desde a órbita terrestre ou de asteroides limita essa solução.

A esperança em novas descobertas

Os cientistas identificam a localização de reservas adicionais de água como a “esperança mais promissora” para viabilizar a colonização lunar a longo prazo. As técnicas atuais de detecção penetram apenas alguns metros abaixo da superfície, enquanto o regolito (solo lunar) se estende por dezenas de metros de profundidade e pode abrigar água em armadilhas frias ainda não exploradas.

Caso avancem os projetos ousados de empresários do setor espacial voltados à ocupação da Lua, localizar novas fontes de água precisará ser a etapa inicial para mudar as projeções atuais e abrir caminho para que futuras gerações possam viver ali de maneira sustentável.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Milton Filho

Milton Filho

Jornalista, sergipano e coautor do livro 'Memórias do Esporte Clube Vitória: a história rubro-negra contada por seus personagens'

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