Na costa sudeste da Península de Yucatán, no México, pesquisadores mapearam uma caverna subaquática que ultrapassa todas as conhecidas em profundidade. O Taam Ja’ Blue Hole, na Baía de Chetumal, alcança pelo menos 420 metros abaixo da superfície, altura superior à do Empire State Building, que possui 381 metros.
O equipamento de medição ainda não localizou o fundo real da formação. Na expedição realizada em dezembro de 2023, os pesquisadores usaram um perfilador de condutividade, temperatura e profundidade, aparelho que registra propriedades da água em tempo real.
Publicado na revista Frontiers in Marine Science em 29 de abril, o estudo confirma que o buraco se estende além do ponto alcançado pelo equipamento.
Do desconhecido ao recorde mundial
Taam Ja significa “águas profundas” na língua maia. O local foi detectado em 2021 com 274 metros de profundidade. A nova medição elevou-o ao status de maior buraco azul reconhecido globalmente, superando o Buraco do Dragão no Mar da China, que ocupava o primeiro lugar com 300 metros. Durante a expedição inicial, em setembro de 2021, um pescador local guiou os cientistas até a formação.
A descoberta deu início ao estudo mais detalhado do local. Pesquisadores acreditam que o buraco pode servir como entrada para um sistema de cavernas e túneis interconectados no subsolo marinho. As mudanças nas propriedades da água abaixo dos 400 metros sugerem uma ligação subterrânea entre o buraco e outros corpos d’água ou a presença de atividade geotérmica. Essas são pistas de um mundo submarino ainda por desvendar.
Como essas cavernas se formam
Buracos azuis são cavernas subaquáticas moldadas por centenas de milhares de anos de dissolução lenta de rochas solúveis. Formam-se tipicamente em regiões litorâneas onde predominam o calcário e outras rochas solúveis em água.
O interior dessas cavidades apresenta camadas distintas de água, com zonas de pouco oxigênio que preservam registros químicos de períodos ancestrais. Essas zonas funcionam como um arquivo natural do planeta.
Pesquisadores pedem aos governos do México e de Belize medidas regulatórias para proteger o local da pressão ambiental e do fluxo excessivo de visitantes. O objetivo é preservar a formação para futuras descobertas científicas.










