Mais de 400 trabalhadores foram atingidos pela paralisação da produção da Kohler em Andradas, Minas Gerais, decretada na última segunda-feira (31). Ao longo de sua existência, a fábrica já havia recebido aportes que somam mais de R$ 200 milhões e conseguia produzir até 1 milhão de peças de louças anualmente.
Esta era a única planta fabril da empresa em território brasileiro e, no período anterior à pandemia, chegou a ter cerca de mil pessoas no quadro de funcionários. Junto com o fechamento da fábrica, a marca Fiori deixou de ser comercializada pela empresa no país, movimento que se encaixa em uma guinada global da companhia em direção aos segmentos premium e de luxo, deixando de lado as linhas voltadas ao mercado popular.
Estratégia global da Kohler com impacto em 400 trabalhadores
O encerramento integra uma transformação mais ampla: a Kohler adquiriu as marcas Kast e Klafs em 2023. E 2024, além de investir em linhas de produtos inteligentes para o segmento de alto padrão. No Brasil, a companhia mantém 36 lojas Kohler Signature Stores e planeja inaugurar mais quatro estabelecimentos ainda este ano, com mais dez previstos para 2027.
A estratégia de nearshoring — aproximação geográfica da produção aos principais mercados — foi determinante. A empresa expandiu significativamente suas operações no México, onde abriu unidades com capacidade de 7 milhões de itens por ano.
Como o maior mercado da Kohler fica nos Estados Unidos, a importação de produtos do México. E da Ásia se mostrou mais eficiente economicamente do que manter a fábrica mineira, especialmente por causa do peso das tarifas americanas sobre as exportações que partiam de Andradas.
Transição dos colaboradores e futuro do parque industrial
Os funcionários afetados receberão licença remunerada até 30 de setembro, com manutenção integral de salários e condições trabalhistas. A Kohler contratou consultoria especializada para apoiar a atualização de currículos e facilitar a recolocação profissional dos demitidos.
Negociações coletivas entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores das indústrias de cerâmica já foram iniciadas. Está prevista para quinta-feira (3) uma reunião entre a prefeita Margot Pioli e Fernando Puccinelli, gerente de Recursos Humanos da Kohler no Brasil.
A empresa avalia possíveis compradores para o parque industrial, considerando vender a propriedade a um concorrente. Mesmo com o fechamento da fábrica, a Kohler mantém presença significativa no Brasil através de seu escritório, operações de distribuição, importação de peças e a rede de 36 lojas já mencionada.
Próximos passos e consolidação da marca
Com a descontinuação da Fiori no país, a Kohler comercializará inicialmente apenas sua linha principal. Nos próximos 12 meses, a companhia pretende trazer outras marcas premium de seu portfólio global, que reúne 25 marcas. O foco comercial volta-se para hotéis de luxo e empreendimentos residenciais de alto padrão, segmentos que refletem a reorientação da empresa rumo ao mercado premium.










